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Antártida usa suspense psicológico para discutir violência sexual e relações de poder
Cultura

Antártida usa suspense psicológico para discutir violência sexual e relações de poder

Longa de Bruno Safadi estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 17, após abrir o 54º Festival de Cinema de Gramado.

Uma violência sexual cometida na primeira noite de isolamento em uma estação na Antártida dá início ao suspense psicológico Antártida, novo longa de Bruno Safadi. Sem poder deixar o local durante o inverno, a pesquisadora Inês precisa lidar com a desconfiança dos colegas enquanto Elisabeth, subcomandante da base, conduz uma investigação.

Escrito por Claudia Jouvin, o filme estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 17, depois de abrir o 54º Festival de Cinema de Gramado. A trama aborda violência contra a mulher, relações de poder e confiança dentro de uma comunidade obrigada a continuar convivendo após o crime.

Na fictícia Estação Comandante Diniz, Inês, interpretada por Marina Ruy Barbosa, chega para integrar uma equipe de pesquisadores e militares que passará meses isolada. Depois de beber com os colegas na primeira noite, ela sofre a violência. A partir daí, todos os homens da estação se tornam suspeitos.

Elisabeth, vivida por Andrea Beltrão, assume a investigação com a ajuda de Marina, personagem de Leandra Leal, e Rose, interpretada por Mariana Sena. A apuração acontece enquanto vítimas, suspeitos e testemunhas seguem trabalhando, comendo e dormindo no mesmo espaço.

O isolamento depois da violência

Marina Ruy Barbosa conta que buscou apresentar Inês ao público antes do trauma. A personagem chega à Antártida mais livre, interessada em aproveitar a experiência, fazer parte do grupo e celebrar a oportunidade profissional. Depois da violência, essa disposição dá lugar à desconfiança e à dificuldade de encontrar alguém em quem possa confiar.

“Ela não tem com quem falar que ela confie”, diz Marina. Inês também precisa lidar com a dúvida sobre quais mulheres da estação vão ajudá-la, protegê-la ou ignorar o que aconteceu. Para a atriz, a trajetória da personagem envolve uma reconstrução difícil e sem solução simples.

O isolamento físico se transforma em isolamento emocional. A impossibilidade de deixar a estação impede que o conflito seja interrompido e faz com que a investigação afete toda a comunidade. Elisabeth precisa buscar respostas enquanto a rotina da base continua e a confiança entre os integrantes se rompe.

Paisagem criada em estúdio

As imagens da Antártida foram produzidas em um estúdio virtual, com um grande painel de LED. O espaço tinha cerca de 1,5 mil metros quadrados, e a tela ocupava aproximadamente 300 metros quadrados. Imagens reais da Patagônia, captadas para a produção, foram usadas na composição do cenário digital.

Diferentemente do chroma key tradicional, em que o cenário é incluído depois das filmagens, o ambiente virtual estava presente durante as gravações. O recurso oferecia aos atores e à câmera uma referência concreta do espaço criado para a história.

Para Leandra Leal, o principal desafio foi fazer com que a tecnologia não atrapalhasse o trabalho do elenco. A preparação ajudou a construir a dinâmica de uma equipe que precisava funcionar como uma unidade militar, com responsabilidades distribuídas entre os integrantes.

“A maior parte da nossa preparação foi destinada a dois objetivos. O primeiro era formar um grupo, porque é uma base militar”, afirma Leandra. O elenco também conversou sobre os temas do filme e sobre cada cena, com participação dos atores que interpretam os homens da estação.

Personagens masculinos sem tipos fáceis

A construção dos homens da trama foi tratada como parte central da proposta. Lázaro Ramos, Gero Camilo, Antonio Calloni e outros atores interpretam integrantes da equipe militar. A intenção, segundo Leandra, era evitar personagens reduzidos a figuras claramente definidas como boas ou más.

A atriz afirma que o trabalho buscou criar homens reconhecíveis pelo público e, ao mesmo tempo, capazes de cometer o crime. A discussão também envolve o fato de o filme ser dirigido por um homem e ter sido escrito por uma mulher a partir de uma história centrada na violência contra uma mulher.

Claudia Jouvin desenvolveu a história antes da chegada de Safadi à direção. Leandra considera importante preservar essa origem e destaca a disposição do diretor para ouvir as perspectivas do elenco e da roteirista durante a preparação.

Andrea Beltrão amplia a discussão ao defender que a compreensão sobre a violência de gênero não deve ser tratada como um tema exclusivamente feminino. Para ela, homens também podem compreender situações que oprimem, sufocam, machucam e maltratam outras pessoas.

No filme, a investigação de Elisabeth não se limita a descobrir quem cometeu o crime. Ela também acompanha a reação de uma comunidade quando a confiança é rompida. A paisagem gelada e a distância reforçam o conflito: embora a imagem apresente um espaço amplo, os personagens permanecem presos à estação e uns aos outros.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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