O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos deve diminuir, na margem, nesta quarta-feira, caso se confirmem os movimentos esperados pelos mercados. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil deve cortar a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) caminha para elevar os juros na mesma proporção, levando a taxa para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano.
Como as duas decisões já foram amplamente incorporadas aos preços dos ativos, a comunicação dos bancos centrais tende a concentrar a atenção. No caso americano, investidores também aguardam as projeções econômicas e o gráfico de pontos do Fed, que podem indicar se a alta será pontual ou fará parte de um ciclo mais prolongado.
Pressão sobre o Fed
A possibilidade de aumento dos juros americanos ganhou força depois que os dados de inflação ao consumidor ficaram acima do esperado. Na manhã desta quarta-feira, os futuros dos fed funds compilados pelo CME Group apontavam 92,5% de probabilidade de uma elevação de 0,25 ponto.
Desde sexta-feira, bancos como J.P. Morgan, HSBC, Nomura, Citi, Goldman Sachs e Wells Fargo passaram a projetar a alta, assim como Bank of America, Barclays, Deutsche Bank e Société Générale. A expectativa também colocou em discussão a credibilidade do Fed sob o comando de Kevin Warsh.
A instituição enfrenta pressão da Casa Branca para reduzir os juros, enquanto Warsh demonstrou incômodo com a inflação ainda acima da meta de 2% durante o simpósio anual de Jackson Hole. O discurso adotado no evento foi considerado mais “hawkish”.
Corte esperado no Brasil
No mercado brasileiro, a previsão predominante é de uma redução da Selic dos atuais 14% para 13,75%. Um levantamento com 120 instituições financeiras e consultorias mostrou que 118 projetam esse resultado. A avaliação é de que a decisão terá caráter protocolar, sem alterações relevantes na comunicação do Banco Central.
Indicadores divulgados desde a reunião de agosto deram apoio adicional ao corte. O Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre cresceu um pouco mais que o esperado, mas a composição do resultado foi vista como mais favorável à flexibilização monetária, com queda no consumo das famílias e maior contribuição da agropecuária.
A inflação corrente também apresentou melhora. Esse movimento, porém, não reduziu as expectativas para o IPCA de 2027 no Boletim Focus. Por isso, a tendência é que o comunicado reconheça a melhora dos preços e a moderação da atividade, mas mantenha a cautela diante das incertezas domésticas e externas.
Também não são esperadas mudanças relevantes na dependência dos dados, na ausência de uma orientação futura explícita ou na preocupação com a desancoragem das expectativas de inflação.







