HAMA, SÍRIA — A escolha da panela já fazia parte do preparo de alimentos na Síria há 4.500 anos. Vestígios encontrados em recipientes de barro indicam que cozinheiros de Hama adaptavam os utensílios ao tipo de prato e às características térmicas necessárias para o cozimento.
A equipe de Mette Marie Hald, arqueobotânica do Museu Nacional de Copenhague, examinou ossos de animais, restos de vegetais e gorduras preservados nas paredes internas das panelas. Os materiais revelaram preparos com cabra, grãos e gazela, muitas vezes levados ao fogo lento.
Barro, calcita e basalto
As peças fabricadas na própria região reuniam barro e calcita. Havia também recipientes trazidos das estepes orientais, produzidos com uma combinação de barro e basalto. A diferença entre os materiais influenciava o modo como cada panela recebia e distribuía o calor.
A madeira de coníferas era usada para dar aroma a alguns pratos. Esses preparos eram feitos exclusivamente em um tipo específico de recipiente. A presença de carne de gazela também aponta para a circulação de ingredientes vindos das estepes, situadas mais a leste.
“Parece algo muito moderno: ter panelas e utensílios de cozinha diferentes”, disse Hald.
Registros de receitas
Para a pesquisadora, os achados reforçam padrões identificados em receitas de períodos posteriores. Textos cuneiformes de cerca de 2.000 anos atrás descrevem o uso de muitos ingredientes e práticas culinárias sofisticadas.
“Era uma época de reinos, cidades bem organizadas e sociedades hierárquicas”, afirmou Hald. Para ela, esse contexto ajuda a explicar a existência de uma cozinha elaborada, embora a possibilidade de encontrar evidências concretas seja surpreendente.








