A escassez de profissionais qualificados atinge 95,1% das empresas do setor hoteleiro, conforme a análise de tendências da Hays para 2026. No primeiro semestre de 2026, o segmento registrou 24,88% de turnover acumulado, enquanto funções de linha de frente, como recepção, governança e manutenção, tiveram índice anual superior a 50%.
Esse cenário esteve entre os temas da palestra IA na contratação e avaliação de perfil, realizada no segundo dia do 4º Encontro de Gente Hoteleira. A apresentação foi conduzida por Shuji Shimada, CEO da Quick.in, que relacionou o uso da tecnologia aos desafios de encontrar, selecionar e manter profissionais na hotelaria.
Da busca à avaliação
A inteligência artificial já pode apoiar a criação de descrições de vagas, com textos mais claros e critérios de SEO para aumentar o alcance dos anúncios. Também é capaz de fazer sourcing ativo, localizando candidatos compatíveis em vez de depender apenas das inscrições recebidas.
Na triagem, a ferramenta lê grandes volumes de currículos e organiza os profissionais de acordo com a aderência à vaga em minutos. Entre outras aplicações citadas estão a pré-entrevista por voz, para coletar informações básicas a qualquer hora, e a transcrição e análise de entrevistas.
Esses recursos ampliam a capacidade dos recrutadores, mas não transferem para a tecnologia a decisão sobre a contratação. Para Shimada, a avaliação das pessoas responsáveis pelo processo continua indispensável, e a IA deve funcionar como apoio às escolhas.
O que os profissionais esperam
Uma pesquisa apresentada durante a palestra mostrou que 70% dos profissionais esperam que a inteligência artificial ajude a priorizar candidatos qualificados. A expectativa de ganhos de eficiência na contratação foi mencionada por 47%, enquanto 39% apontaram a possibilidade de melhorar a eficácia dos anúncios de vagas.
A ampliação das fontes de talentos apareceu entre as expectativas de 37% dos participantes. Outros 33% esperam avanços na experiência dos candidatos e na qualidade das contratações.
Mudanças no recrutamento
Shimada apresentou uma linha do tempo que vai das indicações boca a boca aos sistemas digitais. Os classificados impressos ampliaram o alcance das oportunidades, e os portais de vagas permitiram buscar candidatos em âmbito regional e nacional. Depois, os sistemas ATS (Applicant Tracking System) passaram a organizar as seleções e acompanhar os participantes.
A inteligência artificial acrescenta a esse processo o cruzamento de perfis, a triagem de profissionais e o uso de dados para apoiar decisões. Segundo Shimada, cada tecnologia apareceu para resolver uma limitação da etapa anterior, sem eliminar a participação humana.
O executivo também afirmou que o termo IA surgiu há 70 anos e que a tecnologia já fazia parte do cotidiano antes de se tornar mais perceptível. Ele citou aplicativos como Waze e Netflix, marketplaces como a Amazon e ferramentas de IA generativa, como o ChatGPT.
Com mais de 50 anos de experiência na área, Shimada defendeu a atualização constante diante das transformações tecnológicas. “A grande questão hoje é a capacidade de desaprender”, aconselhou o CEO da Quick.in.








