SÃO PAULO — Acidentes de helicóptero mataram 21 pessoas no Brasil em 2026, o maior número desde o início da série histórica estatística publicada pela Aeronáutica, em 2018. O levantamento considera cinco acidentes fatais até esta terça-feira (22), quando cinco ocupantes morreram em uma queda em Santa Catarina, incluindo o cantor Rick.
O total ultrapassou as 16 mortes registradas em todo 2018. No ano passado, foram sete óbitos, enquanto 2024 terminou com 15 vítimas. As informações estão no Painel Sipaer, da Força Aérea Brasileira.
As mortes em helicópteros correspondem a 43% dos óbitos em acidentes aéreos no país neste ano. No mesmo período, a frota de aviação executiva — que inclui helicópteros — cresceu 20,1% em quatro anos, de 9.460 aeronaves em maio de 2022 para 11.362 em maio de 2026, segundo o Registro Aeronáutico Brasileiro, da Anac.
O segmento de helicópteros também aumentou: passou de 1.889 para 2.315 unidades entre maio de 2024 e maio de 2026, uma alta de cerca de 23%.
Concentração de ocorrências
O Rio de Janeiro concentrou 64% dos acidentes e incidentes com helicópteros no país entre janeiro de 2025 e junho de 2026. Em 14 de junho, dois helicópteros colidiram sobre a avenida das Américas, no Recreio dos Bandeirantes, e caíram em um pátio de veículos. As seis pessoas que estavam nas aeronaves morreram, entre elas o cantor americano Oliver Tree.
Em 8 de agosto, outro helicóptero, usado em um voo panorâmico, caiu em uma área de mata perto da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista. O piloto e três turistas colombianas da mesma família morreram.
Para o especialista em segurança de aviação e aeronavegabilidade continuada João Luna, o número total de mortes, sozinho, não comprova uma piora na segurança operacional. Ele afirma que é necessário analisar também a taxa de acidentes por horas voadas, a proporção de ocorrências fatais, a severidade média dos casos e o comportamento de cada segmento ao longo de vários anos.
Acidente em Santa Catarina
O acidente mais recente ocorreu na serra catarinense. O helicóptero que levava Rick, da dupla com Renner, saiu de Porto Belo, no litoral, com destino a São Joaquim na segunda-feira (21). A aeronave desapareceu depois de perder contato durante o trajeto.
Além do cantor, estavam a bordo o empresário Bruno Avelar, o piloto, o copiloto e um videomaker. Ninguém sobreviveu. Os destroços foram localizados após 13 horas de operação por uma aeronave do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina, com apoio da FAB, em uma área de mata de difícil acesso.
Luna defende o reforço dos Sistemas de Gerenciamento de Segurança Operacional e da cultura de reporte voluntário de ocorrências. Ele também cita a necessidade de atenção ao planejamento de voo em corredores compartilhados, medidas já previstas no arcabouço regulatório vigente.








