Um acordo entre Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia prevê a ampliação da presença militar americana na ilha, com a possibilidade de abertura de dois novos pontos além da Base Espacial de Pituffik. O documento será assinado nesta terça-feira, 22, durante a abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
A cerimônia está marcada para 10h30 no horário de Nova York, 11h30 de Brasília, na sede da ONU. Donald Trump participa do encontro com Mette Frederiksen e Jens-Frederik Nielsen, que formaliza o entendimento entre os três governos.
Novas instalações e regras de segurança
Narsarsuaq, antiga base aérea utilizada durante a Guerra Fria, e Mestersvig, onde atua a Patrulha de Trenós Sirius, são os locais apontados para receber novas estruturas. Narsarsuaq é atualmente habitada por poucas dezenas de pessoas. O acordo também proíbe a instalação de bases russas e chinesas na Groenlândia, conforme informou o Departamento de Estado americano.
O conteúdo completo do documento continua sob sigilo. Pessoas familiarizadas com as negociações afirmaram que o texto permitirá aos Estados Unidos aumentar sua presença militar na ilha. Para Trump, o pacto assegura “controle permanente” sobre a segurança e as demais necessidades da Groenlândia.
Soberania groenlandesa é destacada
A Dinamarca afirma que a soberania da Groenlândia será preservada. Em Nova York, nesta segunda-feira, 21, Frederiksen disse que o acordo é uma questão de política de segurança e o classificou como “um bom acordo do ponto de vista dinamarquês”. Ela citou possíveis benefícios para os países nórdicos, a segurança no Ártico, a Otan e a Europa.
Do lado groenlandês, a posição apresentada é de que o entendimento respeita a soberania do reino e o direito da população à autodeterminação. A ilha é um antigo território colonial dinamarquês, tem autonomia e debate internamente a possibilidade de independência plena.
Negociações após tensão diplomática
As tratativas foram aceleradas depois de declarações feitas por Trump em janeiro deste ano sobre a possibilidade de usar força militar ou econômica para adquirir a Groenlândia. O episódio provocou uma crise diplomática dentro da Otan, enquanto autoridades locais afirmaram que o território não estava à venda.
O interesse do presidente americano pela ilha começou ainda no primeiro mandato, quando ele propôs comprá-la e recebeu nova rejeição das autoridades locais. Em dezembro de 2025, Trump voltou a defender a importância estratégica do território: “precisamos da Groenlândia para a segurança internacional. Precisamos dela”.
A posição da ilha no Ártico é associada ao monitoramento de ameaças vindas da Rússia e da Europa. Radares instalados no território ajudam a identificar embarcações e submarinos entre a Islândia, a Grã-Bretanha e a Groenlândia.
Além da função militar, a região tem minerais, petróleo e gás natural. A exploração enfrenta resistência de povos indígenas, barreiras burocráticas e, no caso do petróleo e do gás, proibição por razões ambientais. A Groenlândia tem 57 mil habitantes e uma extensão territorial equivalente a três vezes o tamanho do Texas. Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos mantiveram 17 instalações e mais de 10 mil militares na ilha.







