Aos 68 anos e estreante em eleições, Augusto Cury aparece em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência, atrás de Lula e Flávio Bolsonaro. O escritor é, neste momento, o candidato mais bem colocado entre os nomes que tentam romper a polarização entre os dois adversários.
Na pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (3), Cury marcou 8%, seis pontos a mais do que em agosto. Na Quaest divulgada na quarta-feira (2), registrou 10%, contra 2% na rodada anterior, de 14 de agosto.
Redes sociais e propostas
O crescimento nas pesquisas ocorreu junto com o aumento da presença digital do candidato. O Índice de Popularidade Digital (IPD), calculado pela Quaest em uma escala de 0 a 100, passou de 37,8 para 54,5 pontos. Campanhas adversárias levantaram suspeitas sobre o avanço repentino de seguidores, mas Cury negou irregularidades. Até o momento, não há no Tribunal Superior Eleitoral processos relacionados ao tema.
A legislação eleitoral permite o pagamento para ampliar o alcance de publicações de candidatos, desde que respeitadas as regras. Já a contratação de influenciadores e o uso de perfis falsos ou automatizados para inflar o engajamento são proibidos.
Entre as propostas apresentadas por Cury está o fim da possibilidade de reeleição. Ele também defende ampliar o uso da telemedicina no sistema público de saúde e integrar mais o ensino médio à formação técnica e profissionalizante.
Uma aproximação antiga com a política
O projeto presidencial atual teve uma tentativa anterior. Em 2009, Cury se filiou ao Partido Verde (PV), que avaliou lançá-lo à Presidência nas eleições do ano seguinte. A candidatura não avançou depois que Marina Silva recebeu o convite para disputar o cargo.
O escritor chegou a contribuir para a elaboração de um programa de governo de Marina, com atenção especial à educação. Naquele período, defendia tornar profissionalizante todo o ensino médio, oferecer ensino universitário a distância para municípios com mais de 10 mil habitantes e mudar o formato das carteiras nas salas de aula.
Nascido em Colina, no interior de São Paulo, Cury é filho de Salomão Jorge Cury e Ana Regina Brait Cury. O pai foi advogado, empresário, produtor rural e vereador. Um dos irmãos, Salem Jorge Cury, tornou-se juiz federal.
Livros, negócios e patrimônio
Cury iniciou oficialmente a carreira de escritor em 1998, com “Inteligência Multifocal”. Seu livro mais conhecido é “O Vendedor de Sonhos”, lançado em 2008 e adaptado para o cinema oito anos depois.
Formado em Medicina, ele atuou como psiquiatra e psicoterapeuta e também se tornou empresário. À Justiça Eleitoral, declarou patrimônio de R$ 242 milhões, distribuído entre imóveis, participações empresariais, ações, fundos de investimento, créditos e saldos bancários.
Empresas ligadas ao candidato ou a familiares atuam em áreas como educação, treinamento profissional, gestão emocional, publicação de livros, agricultura, exploração florestal, imóveis, construção e participações societárias. Na base consultada da Receita Federal, 23 CNPJs apareciam como ativos: 17 em São Paulo, 5 em Minas Gerais e um no Piauí.
Em 2025, o Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais indeferiu um pedido da Filadélfia Nature Participações e Empreendimentos para cortar 233 árvores nativas isoladas na Fazenda Serra Branca. O órgão também havia negado, no ano anterior, outro pedido da empresa para suprimir 994 hectares de Cerrado. Os documentos apontaram que a primeira intervenção já havia sido realizada sem autorização ambiental.
Candidatura pelo Avante
Em 2026, Cury passou a disputar a Presidência pelo Avante. Antes disso, conversou com políticos como Michel Temer, Gilberto Kassab e Aécio Neves. Para vice, escolheu Júlio Delgado, ex-deputado federal mineiro que já disputou a presidência da Câmara.
O candidato afirma ter uma posição econômica capitalista e favorável ao empreendedorismo, combinada com uma agenda social. Também diz que entrou na disputa para “pacificar esse país”.
Na área da telemedicina, Cury foi questionado pela ligação anterior com a Click Life, empresa da qual foi sócio e para a qual atuou como embaixador até 2023. Ele afirmou que não mantém mais relação com a companhia.
Em 2025, a Click Life foi desclassificada de uma licitação do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) por não apresentar uma certificação exigida. O Tribunal de Justiça de São Paulo rejeitou por unanimidade o recurso da empresa em fevereiro de 2026, enquanto o mandado de segurança principal ainda tramita.






