O preço da energia elétrica caiu 7,63% em agosto, influenciado pelo bônus de Itaipu, e teve o maior impacto negativo no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O item contribuiu com -0,33 ponto percentual para o resultado do índice, que recuou 0,32% no mês, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A retração da energia foi a mais intensa para um mês de agosto desde o Plano Real. Considerando todos os meses, a queda só foi menor que a registrada em janeiro de 2025, quando o preço recuou 14,21% pelo mesmo efeito relacionado a Itaipu.
O bônus funciona como um crédito ligado à comercialização da energia da usina hidrelétrica. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou a distribuição de R$ 872 milhões para reduzir as faturas de consumidores residenciais. Os descontos foram aplicados nas contas emitidas entre 1º e 31 de agosto.
Efeito no índice de inflação
A energia elétrica integra o grupo habitação, que apresentou queda de 1,87% e teve a maior retração para o período desde o Plano Real. O segmento exerceu influência de -0,29 ponto percentual no IPCA de agosto.
Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, afirmou que o resultado geral teria sido praticamente estável sem a energia elétrica. “Se tirar a energia [e redistribuir o peso para os demais itens], fica 0,01% de variação, praticamente estabilidade”, disse.
Para setembro, Gonçalves prevê a devolução do bônus de Itaipu, com queda no preço da energia elétrica. Ainda não é possível saber se esse efeito compensará totalmente o recuo observado em agosto.
No mesmo mês, a bandeira tarifária será amarela. A cobrança acrescentará R$ 1,885 à conta de luz a cada 100 Kwh consumidos.







