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Concha de caracol preserva sinais de chuvas extremas na Austrália
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Concha de caracol preserva sinais de chuvas extremas na Austrália

Análise de isótopos e radiocarbono relacionou alterações na concha a chuvas ligadas aos ciclones Marcia e Debbie, em Queensland.

Alterações químicas registradas em uma concha de caracol terrestre coincidiram com períodos de chuva extrema associados aos ciclones tropicais severos Marcia e Debbie. O resultado foi obtido por pesquisadores que analisaram um exemplar encontrado no Parque Nacional Coalstoun Lakes, na Austrália.

O estudo foi publicado em 28 de agosto na revista científica The Holocene. A concha pertence à espécie Figuladra bayensis, conhecida como Biggenden Banded Snail, e foi coletada em 2018, quando o animal havia morrido recentemente.

O que ficou registrado na concha

A equipe examinou 200 pequenas amostras para medir isótopos estáveis de oxigênio e carbono. Também utilizou outras oito amostras na datação por radiocarbono, técnica que ajudou a estimar a idade do animal e a organizar uma cronologia aproximada da formação das camadas da concha.

Os pesquisadores estimaram que o caracol viveu aproximadamente quatro anos e meio. Nesse período, a estrutura não cresceu em ritmo constante. As menores oscilações químicas, de aproximadamente 2‰, foram consideradas compatíveis com mudanças sazonais. Já duas alterações de cerca de 6‰ coincidiram com episódios de chuva intensa em Queensland relacionados aos ciclones Marcia, em 2015, e Debbie, em 2017.

A composição dos isótopos de oxigênio pode sofrer influência de chuva, temperatura, umidade, alimentação e processos fisiológicos. Ao comparar esses registros com dados meteorológicos disponíveis para a região, os cientistas identificaram uma relação mais específica com a precipitação extrema.

Inicialmente, a hipótese era que o crescimento acelerado resultasse apenas de períodos mais chuvosos. A maior disponibilidade de água poderia favorecer a vegetação e ampliar a oferta de alimento. O modelo, porém, associou alterações superiores a 5‰ a eventos extremos, enquanto mudanças menores foram relacionadas às variações sazonais.

Alimentação e datação

Os isótopos de carbono também indicaram mudanças na alimentação do caracol ao longo das estações e durante o amadurecimento. Para determinar quando diferentes partes da concha se formaram, a equipe recorreu ao carbono-14.

A análise considerou ainda o chamado “carbono da bomba”, aumento do radiocarbono atmosférico provocado pelos testes nucleares realizados durante o século 20. Essa assinatura foi incorporada aos organismos e permaneceu no ambiente, servindo como referência para datar materiais relativamente recentes.

Possível uso em conchas antigas

Como a estrutura mineral pode permanecer preservada depois da morte do animal, conchas encontradas no solo e em sedimentos talvez ajudem a investigar chuvas extremas ocorridas antes da existência de registros meteorológicos modernos. A proposta também poderá contribuir para identificar possíveis períodos de atividade de ciclones.

A possibilidade ainda precisa ser confirmada. O estudo avaliou apenas uma concha moderna, e os pesquisadores reconhecem incertezas nos modelos que relacionam a idade do animal ao crescimento da estrutura. A próxima etapa prevista é examinar exemplares encontrados em diferentes camadas de sedimentos e verificar se o método pode reconstruir condições climáticas de períodos mais antigos.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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