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Crises políticas expõem os limites das promessas de limpeza no Brasil
Foto: Daniel Vorcaro foto Divulgação
Brasil

Crises políticas expõem os limites das promessas de limpeza no Brasil

A trajetória brasileira e a experiência italiana são usadas para questionar trocas radicais de poder e discursos de pureza política.

A história política recente é apresentada como uma sequência de expectativas frustradas: a queda de um grupo no poder não garante a chegada de governantes mais éticos, nem elimina práticas de corrupção. A experiência italiana e diferentes momentos do Brasil servem de base para uma crítica às soluções rápidas e ao moralismo político.

Quando a mudança produz o efeito contrário

Na Itália, magistrados, procuradores e policiais ajudaram a desmontar um sistema político associado à corrupção e à máfia. O processo abriu espaço para Silvio Berlusconi, cuja imagem de empresário bem-sucedido contrastava, segundo a análise, com seu envolvimento em práticas semelhantes às da geração anterior. A corrupção não desapareceu depois da Operação Mãos Limpas.

A mesma lógica aparece na avaliação do Brasil. Em 1964, parte da imprensa apoiou a derrubada de João Goulart, acreditando que o general-presidente Castello Branco convocaria eleições. Os militares, porém, permaneceram no poder por 21 anos. Carlos Lacerda, que havia defendido a mudança, acabou cassado por Arthur da Costa e Silva.

A transição para a democracia também não ocorreu como planejado. Com a morte de Tancredo Neves, José Sarney assumiu a Presidência. Embora tivesse apoiado a ditadura até 1985, conduziu um governo democrático entre 1985 e 1990, segundo a avaliação apresentada. O período teve, porém, a censura ao filme “Je Voyus Salue, Marie”, de Jean-Luc Godard, atendendo à Igreja Católica.

O moralismo também escolhe seus heróis

Na eleição de 1989, a imprensa ajudou a formar a imagem de Fernando Collor como alternativa a Luiz Inácio Lula da Silva. O então candidato alagoano foi apresentado pela revista “Veja” como “O Caçador de Marajás”. Depois, o governo Collor se tornou um exemplo de como a promessa de renovação pode terminar em decepção.

Itamar Franco assumiu em seguida e escolheu Fernando Henrique Cardoso para o Ministério da Fazenda. Com Pedro Malan, Gustavo Franco, Pérsio Arida e Edmar Bacha, a equipe conduziu o Plano Real, que recuperou a economia e reorganizou o Estado. Fernando Henrique Cardoso foi eleito e reeleito presidente, permanecendo oito anos no poder.

A análise também rejeita a ideia de que a política brasileira possa ser dividida entre grupos completamente puros ou impuros. Lula teve um primeiro governo considerado bom, um segundo avaliado como mais ou menos e um terceiro descrito como razoável. Dilma Rousseff é apontada como uma presidente cuja imagem pode ter sido mais negativa do que seu desempenho, mas que não demonstrou espírito de estadista e perdeu apoio político.

Depois de Michel Temer, Jair Bolsonaro chegou à Presidência. O texto atribui ao governo dele baixo crescimento econômico, aumento da miséria e mais de 700 mil mortes por Covid. A avaliação é que esse período contribuiu para a volta de Lula ao poder.

Banco Master recoloca a pergunta

A Operação Lava Jato é descrita como um processo que excedeu seus limites e teve objetivos políticos, embora a análise sustente que houve corrupção nos governos do PT. Na sequência, o petismo teria negociado com setores do Centrão e outros grupos para permanecer no poder.

O caso do Banco Master, de Daniel Vorcaro, aparece como sinal de que as práticas de favorecimento e as suspeitas de influência continuam atravessando diferentes campos ideológicos. O texto menciona relações de Vorcaro com integrantes do Judiciário, do Congresso e do Executivo, mas ressalva que não está afirmando que essas pessoas tenham roubado.

Também são citados Dias Toffoli, André Mendonça, Alexandre de Moraes, Davi Alcolumbre, Hugo Motta, Ciro Nogueira, Jaques Wagner e Flávio Bolsonaro. A análise questiona ainda o alcance das relações financeiras de Vorcaro com jornais, emissoras de televisão, sites e influenciadores.

A pergunta central, portanto, não é apenas quem deve ser afastado, mas quem ocuparia seu lugar. A substituição de políticos por figuras apresentadas como puras pode repetir o mesmo ciclo, como ocorreu em diferentes momentos históricos. O texto conclui que reformas profundas exigem tempo e que soluções mágicas, em geral, não se sustentam.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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