O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de documentos enviados pela Justiça de São Paulo e concentrou sob sua relatoria investigações sobre um suposto esquema de desvio de recursos públicos. O caso envolve emendas parlamentares federais, contratos ligados à Prefeitura de São Paulo e pessoas relacionadas ao deputado federal Mário Frias (PL-SP).
A decisão também registra uma linha de investigação sobre possíveis vínculos do grupo com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Segundo Dino, essa hipótese aparece nos autos e está relacionada à suspeita de que uma organização criminosa teria atuado na captação, circulação e ocultação de verbas públicas.
Na quinta-feira, Mário Frias chamou de “cortina de fumaça” a operação da Polícia Federal que fez buscas em sua residência. Em uma publicação nas redes sociais, o deputado negou irregularidades, afirmou que colaboraria com a apuração e entregaria os documentos necessários. Ele também disse acreditar no arquivamento do caso.
Fluxo de recursos entre empresas e entidades
Conforme a representação da Polícia Federal reproduzida no despacho, a Complexsys Soluções Integradas Ltda. recebeu transferências de Frias e também repassou recursos ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama e beneficiária de valores de emendas parlamentares.
A empresa ainda transferiu recursos para a Academia Nacional de Cultura (ANC), organização sem fins lucrativos também presidida por Karina Gama. Para os investigadores, a movimentação entre o deputado, a Complexsys, o ICB e a ANC indicaria um circuito financeiro fechado, com circulação de valores entre integrantes de um mesmo núcleo.
A Polícia Federal também apontou possível confusão patrimonial entre o ICB, empresas contratadas e pessoas ligadas ao grupo investigado. Entre os elementos citados estão vínculos societários cruzados, proximidade entre sócios e administradores, faturamento declarado incompatível com os valores movimentados e devoluções de recursos sem justificativa econômica aparente.
Hipótese de organização criminosa
Outro ponto analisado envolve transferências de Mário Frias para a Go Up Entertainment, empresa ligada a Karina Ferreira da Gama. De acordo com os investigadores, os valores seriam incompatíveis com a renda declarada pelo deputado e com os créditos identificados nas contas analisadas.
Para a PF, essa movimentação pode indicar que Frias não teria atuado apenas como autor de emendas posteriormente desviadas por terceiros. A representação sustenta que ele aparece como possível participante ativo da engrenagem financeira investigada.
Os investigadores também apontam relações patrimoniais do deputado com pessoas e empresas ligadas ao núcleo identificado em outras frentes da apuração. Com base nesse conjunto, a PF considera que os fatos podem fazer parte de uma única organização criminosa voltada à captação, disseminação e ocultação de recursos públicos.
Dino avaliou que os documentos enviados pela Justiça de São Paulo reforçam a hipótese de conexão entre as investigações sobre emendas parlamentares e contratos da Prefeitura de São Paulo. Os fatos, no entanto, continuam sob investigação.







