A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União cumprem 49 mandados de busca e apreensão em uma investigação sobre possível desvio de dinheiro público. Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP), a produtora Karina Gama, o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC). Não foram expedidos mandados de prisão.
Batizada de Make Up, a operação apura o uso de recursos provenientes de emendas parlamentares. Uma das linhas da investigação verifica se parte do dinheiro foi empregada na produção de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. As entidades alvo das buscas têm ligação com Karina Gama.
Investigação no STF
O caso é relatado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A apuração busca esclarecer se verbas destinadas a uma organização da sociedade civil acabaram repassadas a empresas subcontratadas sem comprovação dos serviços realizados.
A PF informou ter encontrado movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas associadas ao suposto esquema. Entre os crimes investigados estão peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
O filme também é analisado em outro inquérito no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça. Essa apuração trata de transferências feitas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro depois de pedidos atribuídos ao senador Flávio Bolsonaro.
Na quarta-feira (9), Mendonça homologou a delação de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro” e proprietário da Entre Investimentos. Ele relatou ter realizado sete transferências para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, entre janeiro e setembro de 2025. Os pagamentos totalizaram US$ 12,333 milhões, equivalentes a cerca de R$ 62,8 milhões na cotação da época.
Um dos repasses, no valor de US$ 1,666 milhão, ocorreu em setembro de 2025. A data é posterior à afirmação de Flávio Bolsonaro de que os envios de Vorcaro haviam terminado em maio.
A PF também verifica se todos os valores destinados ao fundo foram aplicados no filme ou tiveram outras finalidades. A produtora Go Up declarou que a obra custou R$ 75 milhões e que as contas passaram por auditoria privada, mas os documentos detalhados não foram divulgados.








