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Estudo aponta resultados atípicos no Provão Paulista e Secretaria contesta fraude
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Estudo aponta resultados atípicos no Provão Paulista e Secretaria contesta fraude

Análise encontrou 4.305 desempenhos fora da curva entre alunos da rede estadual; Seduc afirma que os dados não comprovam fraude.

Um estudo da Rede Escola Pública e Universidade (Repu) identificou resultados atípicos no Provão Paulista, processo seriado destinado a alunos de escolas públicas e usado para selecionar estudantes para USP, Unicamp, Unesp e Univesp. A análise aponta que ao menos 4.305 estudantes tiveram saltos considerados extraordinariamente elevados entre as provas de diferentes anos.

O relatório afirma que “os resultados apresentam indícios consistentes e contundentes da ocorrência de fraude sistêmica”. A Secretaria da Educação contesta a conclusão e diz que os dados não permitem estabelecer uma relação individual entre os desempenhos fora da curva e uma fraude.

Concentração dos resultados

A Repu analisou microdados das edições de 2023, 2024 e 2025, fornecidos pela própria Secretaria da Educação. O Provão tem 90 questões de múltipla escolha, com cinco alternativas cada. Para identificar os casos atípicos, os pesquisadores compararam o desempenho dos mesmos estudantes ao longo das três aplicações e consideraram fora do padrão uma variação superior a três desvios-padrão — cerca de 20 pontos em uma prova de 90 questões.

Metade dos resultados identificados ficou concentrada em 50 escolas, entre mais de 5.500 unidades da rede paulista. Também houve concentração regional: metade dos casos apareceu em 8 das 91 unidades regionais de ensino do estado.

Entre os alunos da rede estadual, a mediana de acertos variou de 23 a 30 questões, dependendo da série e da edição. Nas redes municipais e nas Etecs, a mediana ficou entre 29 e 46 questões. Se os estudantes chutassem todas as respostas, a média esperada seria de 18 acertos, segundo o estudo.

Um exemplo citado pelos pesquisadores envolve alunos que fizeram 25 pontos em 2023 e passaram a registrar mais de 60 em 2024 e 2025. As medianas dos estudantes da rede estadual foram de 25 pontos no 1º ano, em 2023; 24 pontos no 2º ano, em 2024; e 28 pontos no 3º ano, em 2025.

Entre mais de 30 mil alunos do 3º ano das escolas técnicas, 53 apresentaram resultados atípicos, ou 0,17%. Na rede estadual, quase 225 mil estudantes fizeram a prova e 4.305 tiveram desempenhos fora do padrão, proporção de cerca de 1,91%. O estudo considera esperada uma incidência de aproximadamente 0,15% e afirma que a taxa encontrada na rede estadual foi mais de 12 vezes maior.

Ao menos nove escolas estaduais tiveram mais de 75% dos alunos do 3º ano, em 2025, com resultados atípicos. Em uma delas, 45 dos 46 estudantes que fizeram a prova registraram saltos acima de três desvios-padrão.

Denúncias e seleção para universidades

O Provão Paulista foi criado pelo governador Tarcísio de Freitas em 2023. Os alunos fazem uma prova ao fim de cada uma das três séries do ensino médio. No último processo, 14.271 estudantes da rede estadual foram selecionados para universidades, e 11,3% estudavam em escolas com alta incidência de resultados atípicos.

Desde a primeira edição, foram registradas denúncias de vazamento das provas e de uso de celulares durante a aplicação. Em 2023, o tema da redação circulou nas redes sociais na véspera da prova. A Secretaria da Educação admitiu o vazamento, mas não anulou o exame. Nas duas edições seguintes, também houve denúncias de vazamento, uso de celular e facilitação de cola por professores que atuavam como aplicadores.

Para os pesquisadores, o exame reúne funções que podem gerar conflito de interesse: além de selecionar alunos para universidades, ele é usado para avaliar escolas e definir bonificações e punições para docentes e diretores. O estudo defende que profissionais afetados pelos resultados não deveriam fiscalizar a aplicação da prova.

Leonardo Crochik, professor do Instituto Federal de São Paulo e um dos responsáveis pela análise, afirmou que o objetivo não é apontar estudantes ou escolas específicos, mas examinar como falhas na elaboração e na execução poderiam ter permitido a disseminação de resultados anômalos.

Respostas da Secretaria e das universidades

A Secretaria da Educação afirmou que os dados não comprovam fraude nem comprometimento do processo seletivo. A pasta disse ter feito uma análise complementar em escolas com muitos resultados atípicos e encontrado evolução relevante em matemática, no Saeb, em 34 delas.

Sobre as denúncias relacionadas à aplicação, a secretaria informou que, em 2025, identificou seis casos de estudantes que entraram com celulares nas salas e fotografaram questões. Segundo a pasta, não houve acesso prévio ao conteúdo, as provas foram anuladas e as equipes escolares receberam orientação sobre o regulamento.

A Fundação Vunesp, responsável pela elaboração da prova, declarou adotar procedimentos de segurança em todas as etapas sob sua responsabilidade.

Unesp e Unicamp disseram que a responsabilidade pelo exame é da Secretaria da Educação e da Vunesp. A comissão da Unicamp afirmou que espera o mesmo nível de segurança e controle em processos que não estão sob sua gestão, como o Enem e o Provão Paulista. A Unesp atribuiu à Secretaria a inscrição dos estudantes e a logística de aplicação, e à Vunesp a elaboração, a correção e a divulgação dos resultados. A USP não respondeu.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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