NOVA YORK — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve defender a soberania e a democracia no discurso que fará na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), no próximo dia 22. A fala deve transmitir uma posição contrária a interferências externas na eleição brasileira, sem transformar o pleito no tema central da apresentação.
A expectativa do governo é que o discurso dure cerca de 20 minutos e trate de assuntos de interesse internacional. Na quarta-feira (16), o embaixador Carlos Cozendey, secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Itamaraty, afirmou que a fala deve trazer “uma defesa forte do multilateralismo como linha básica da política externa brasileira”.
Lula afirmou, em entrevista à rádio Itatiaia nesta quinta-feira (17), que pretende abordar a economia mundial, a representatividade no Conselho de Segurança da ONU, as guerras e a falta de liderança para decisões internacionais. Ao comparar a mensagem com o discurso feito em 2025, disse que “as palavras mudaram, o momento político mudou”.
Crime organizado e inteligência artificial
O crime organizado também pode entrar na pauta. Fontes do governo avaliam que o tema ganhou importância internacional desde o ano passado e apontam diferenças entre Brasil e Estados Unidos sobre as estratégias de enfrentamento. Interlocutores questionam se classificar facções criminosas como terroristas é a melhor solução e destacam a cooperação bilateral existente, com agentes brasileiros nos Estados Unidos e americanos no Brasil.
Lula afirmou que apresentou a Trump uma proposta de combate ao crime organizado, mas não recebeu resposta. As divergências reapareceram depois que Trump acusou o Brasil de falhar no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV), em relatório divulgado na quarta-feira (16). O governo considerou a medida uma politização do tema.
A inteligência artificial também pode ser mencionada. De acordo com uma fonte, o assunto mobiliza cada vez mais a comunidade internacional e ganhou força após alertas de executivos sobre riscos associados ao avanço da tecnologia.
A equipe ainda avalia referências à Venezuela e a Israel. Sobre a Venezuela, a preocupação é evitar declarações que possam aumentar a instabilidade no país. Lula também afirmou que o Brasil está disponível para participar das discussões sobre a paz envolvendo o Irã.
Não há previsão de reunião bilateral com Trump na agenda até o momento, embora interlocutores considerem possível que os dois se encontrem na Assembleia. O governo pretende atender ao pedido de reunião feito pelo prefeito de Nova York, Zohran Mamdani.






