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Minaçu pode usar terras raras para criar uma cadeia de tecnologia em Goiás
Brasil

Minaçu pode usar terras raras para criar uma cadeia de tecnologia em Goiás

Projeto da Serra Verde e novas regras nacionais recolocam no centro do debate o destino da riqueza gerada pelos minerais críticos.

A criação de novas regras para minerais críticos abriu espaço para discutir como Goiás pode transformar a extração de terras raras em pesquisa, formação profissional e indústria. Em Minaçu, onde o projeto da Serra Verde colocou o estado no mapa internacional do setor, o desafio é fazer com que parte da riqueza permaneça no território em forma de conhecimento e tecnologia.

Em maio, o Cade informou que abriu procedimento para analisar uma operação envolvendo a Serra Verde e a norte-americana USA Rare Earth. O órgão também registrou um acordo de fornecimento de 15 anos para a produção da primeira fase do projeto.

O movimento aumentou a importância econômica da atividade, mas também trouxe perguntas sobre o que será produzido em Goiás além do minério. Entre os pontos de acompanhamento estão empregos qualificados, investimentos em pesquisa, arrecadação, retorno para o território e participação brasileira nas etapas de processamento e transformação.

Estrutura criada em Goiás

A legislação estadual já oferece uma base para essa discussão. A Lei Estadual nº 23.597/2025 criou dois instrumentos voltados ao setor: a Autoridade Estadual de Minerais Críticos de Goiás e o Fundo Estadual de Desenvolvimento dos Minerais Críticos. As regras do fundo incluem pesquisa, desenvolvimento tecnológico, inovação, formação e retenção de capital humano, infraestrutura, recuperação ambiental e atração de empreendimentos de maior valor agregado.

Com essa estrutura, Goiás pode discutir centros de pesquisa, laboratórios, bolsas acadêmicas, startups, empresas de engenharia e projetos voltados ao processamento dos minerais. Também entram nessa agenda tecnologias de separação, reciclagem e utilização das terras raras.

A lógica é que a jazida tem duração limitada, enquanto pesquisadores formados, empresas tecnológicas e instalações científicas podem continuar gerando atividade econômica. Para isso, será necessário transformar a legislação em uma estratégia de longo prazo, com transparência e acompanhamento dos compromissos assumidos pelos empreendimentos.

Política nacional prevê mais etapas no Brasil

A Lei nº 15.506/2026 instituiu a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e criou o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos. Entre os objetivos estão ampliar a agregação de valor no país e estimular pesquisa, lavra, beneficiamento, transformação e mineração urbana.

A política nacional trata esses minerais como parte de uma agenda industrial e tecnológica, e não apenas como produtos destinados à exportação. A Constituição estabelece que os recursos minerais pertencem à União, enquanto a exploração depende das regras e autorizações previstas na legislação brasileira.

A Agência Nacional de Mineração relaciona os minerais críticos e estratégicos à soberania, à segurança econômica e tecnológica e aos riscos de concentração das cadeias internacionais. Isso não impede a entrada de capital estrangeiro, que pode trazer recursos, tecnologia, mercados e capacidade produtiva. A discussão passa a ser quais contrapartidas o Brasil estabelecerá e qual posição ocupará nas cadeias de maior valor.

Da extração à capacidade tecnológica

Terras raras são usadas em motores elétricos, equipamentos eletrônicos, energia renovável, defesa, ímãs de alto desempenho e outras aplicações industriais. Por isso, a negociação pode envolver não apenas a venda do material extraído, mas também processamento, pesquisa, capacitação profissional e transferência tecnológica.

Para Minaçu, a oportunidade está em participar de uma cadeia que reúna universidades, institutos federais, centros de pesquisa, governo e empresas. A formação de profissionais em geologia, química, engenharia de materiais, mineração, tecnologia industrial e gestão ambiental também faz parte desse caminho.

A soberania mineral, nesse cenário, não significa impedir investimentos ou acordos comerciais. Significa reconhecer o valor estratégico do recurso e buscar uma participação nacional nas etapas que transformam a matéria-prima em produtos de maior valor. O resultado esperado da atividade, portanto, pode ser medido não só pelo volume extraído, mas pela capacidade de criar conhecimento e indústria no Brasil.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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