RIO DE JANEIRO — Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, conhecido como Boss, foi preso na última segunda-feira (21), em casa, em Maceió. O Ministério Público do Rio de Janeiro aponta o suspeito como comandante de um esquema do Comando Vermelho para transportar drogas entre São Paulo e o Rio de Janeiro.
A prisão ocorreu durante a Operação Ícaro, que cumpriu mandados contra 15 denunciados. As ordens de prisão preventiva foram expedidas pela 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa, sem prazo para soltura. A ação teve participação das Polícias Civis do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Alagoas, da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária e da Polícia Militar do Rio de Janeiro.
As investigações apontam que o grupo usava empresas de transporte e logística para esconder cargas ilícitas entre mercadorias regulares. Também foram determinadas buscas para apreender aparelhos eletrônicos, documentos, valores e veículos ligados ao esquema.
Investigação sobre a rota
Segundo o promotor Décio Alonso, Boss passou a exercer a função antes atribuída a Marcos Antônio Pereira Firmino da Silva, o My Thor, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho e atualmente preso no Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná.
Investigadores afirmam que Boss negociava cargas, fretes e pagamentos, coordenava operadores logísticos e usava laranjas para movimentar dinheiro do tráfico. Alonso disse que ele ficou anos sem ser identificado por adotar “uma política de isolamento”. No Rio de Janeiro, ainda de acordo com o promotor, o suspeito fornecia drogas exclusivamente ao Comando Vermelho e mantinha articulações com integrantes do Primeiro Comando da Capital em outros estados, principalmente em São Paulo.
O cruzamento de dezenas de comunicações sobre movimentações financeiras atípicas identificou transações de R$ 70.497.597 em curto período. A denúncia relaciona ao grupo duas apreensões: 715,7 quilos de cocaína e maconha, em Guarulhos, em 2 de fevereiro de 2024; e 73,8 quilos de cocaína, em Seropédica, em 31 de maio do mesmo ano. As cargas totalizam 789,5 quilos.
Também foram denunciados dois policiais militares, acusados de apoio armado, distribuição de drogas e recolhimento de valores. Ambos estão presos. A Promotoria pediu a condenação por associação para o tráfico e lavagem de capitais, além do confisco de bens e da perda alargada do patrimônio do grupo.








