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Valter Hugo Mãe transforma ignorância social em alegoria no romance “O Século dos Imbecis”
Brasil

Valter Hugo Mãe transforma ignorância social em alegoria no romance “O Século dos Imbecis”

Romance lançado em julho de 2026 combina sátira, fábula e crítica às relações de poder, à desigualdade e à falta de senso crítico.

O romance “O Século dos Imbecis”, de Valter Hugo Mãe, constrói uma alegoria sobre a ignorância, a desigualdade e as contradições da sociedade contemporânea. Lançado em julho de 2026 pela Biblioteca Azul, o livro tem 339 páginas e acompanha uma vila sem nome, em algum lugar de Portugal, situada ao pé de uma montanha também sem nome.

A narrativa se passa em um período indefinido entre o presente e o passado. Escrita em terceira pessoa, combina elementos burlescos e tragicômicos com uma observação crítica das relações sociais. O autor também opta por não seguir o Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa de 1995, além de recorrer a termos regionais, uma nomenclatura própria e diversos neologismos.

Poder, riqueza e subserviência

No centro da história está a Malandrinha, uma propriedade centenária com patrimônio artístico e nobiliárquico. O local domina a paisagem e influencia os interesses dos moradores da vila, que se submetem ao marquês Agilulfo, mesmo conhecendo sua fragilidade mental. Em público, essa condição é elogiada; na vida privada, criticada.

Agilulfo é um dos personagens inspirados em “O Cavaleiro Inexistente”, de Italo Calvino, a quem Valter Hugo Mãe dedica o livro. Também aparecem Paciasso, Martinbon, Omobom, Omobestia, Bertrandino dos Guildiverni e Gurdulù. Outros personagens são identificados pelas funções que exercem, como a Criada, a Marquesa, a Pessivista, o Presidentês, a Presidentesa, a Coveira, a Pasteleira e a Mulher Torta.

O que define essas figuras não é apenas o nome, mas o papel que desempenham na sociedade. O narrador observa o autoritarismo, o conservadorismo, as relações baseadas no interesse e o fascínio dos habitantes pela riqueza e pelo luxo do casal de marqueses.

O julgamento de Omobom e Omobestia expõe outra inversão de valores. Omobom, por ser considerado bom e conhecer a verdade, recebe uma condenação maior. Omobestia, mau por natureza e costume, encontra compreensão e benevolência. A lógica da vila permite ao mau errar, enquanto o bom não tem essa possibilidade.

Fábula e crítica social

A Igreja Católica também integra a sátira do romance. A pedido da população, o padre canoniza a estátua da Justiça, transformando-a em Nossa Senhora da Justiça. Ao mesmo tempo, é conhecido o romance do padre com a Coveira.

A Criada, submetida às regras de uma sociedade machista e autocrática e da igreja, associa a própria realização ao estupro. O estuprador, porém, permanece manipulador e senhor da vulnerabilidade feminina. O episódio evidencia como a violência e as estruturas de poder atravessam a vida dos personagens.

A origem da riqueza da nobreza portuguesa é relacionada à exploração das riquezas do Brasil e à escravidão durante o período colonial. O nome Malandrinha assume, assim, um sentido irônico: a propriedade representa um patrimônio obtido por ações exploratórias e transmitido entre gerações, enquanto a pobreza permanece em luta contra o status quo.

A dimensão fabular aparece de forma direta na trajetória de Agilulfo. Sua inteligência aumenta quando ele sobe a montanha e desaparece gradualmente à medida que desce. O cofre misterioso e o desaparecimento da marquesa também ampliam o componente de mistério da narrativa.

A montanha funciona ainda como imagem do conhecimento. Ao alcançar o topo, o governante consegue contemplar uma visão mais ampla do mundo. A ascensão representa a possibilidade de ampliar a compreensão da realidade.

Depois do desaparecimento do casal de marqueses, a Criada assume o comando. No desfecho, um acordo entre as classes sociais dá à Malandrinha uma finalidade humanitária e conduz a narrativa a uma solução utópica, próxima de ideias progressistas.

“O Século dos Imbecis” apresenta uma sociedade injusta, incapaz de avaliar a si própria com clareza. A obra retoma, em escala mais breve e com linguagem própria, a intenção crítica associada à “Comédia Humana”, de Honoré de Balzac, que retratou o homem burguês em uma sociedade em transformação.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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