O volume de vendas do comércio varejista restrito caiu 0,8% em julho, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, o setor ficou 1,5% abaixo do recorde registrado em março.
O gerente da pesquisa, Cristiano Santos, afirmou que o nível atual permanece próximo do pico da série histórica e é semelhante ao observado em dezembro de 2025. O segundo maior patamar foi registrado em novembro.
A retração ocorreu apesar de indicadores econômicos positivos no mês. Entre eles estão a desaceleração da inflação, o aumento da massa de rendimentos, a elevação do número de pessoas ocupadas e uma variação de 0,2% no crédito para pessoas físicas.
Para Santos, esses fatores não explicam diretamente a queda mensal das vendas. “Apesar da queda de 0,8%, temos fatores positivos”, afirmou o gerente do IBGE, ao mencionar a possibilidade de defasagem na influência de determinados indicadores.
Possível efeito dos juros
O resultado pode ter sido afetado pelo nível ainda elevado dos juros. De acordo com Santos, mesmo quando uma redução das taxas permite ampliar o crédito, os recursos não necessariamente são direcionados ao consumo.
As famílias podem usar esse dinheiro para formar poupança ou quitar dívidas. “Não dá para afirmar categoricamente se é pagamento de juros, mas pode estar acontecendo isso sim”, disse.
Assim, a avaliação apresentada pelo IBGE é que o desempenho de julho pode refletir efeitos atrasados das condições financeiras, e não apenas os fatores macroeconômicos observados no próprio mês.







