Major Vitor Hugo (PL) tenta voltar à Câmara dos Deputados após ter sido vereador mais votado de Goiânia e candidato ao Governo de Goiás. Ex-líder do governo Jair Bolsonaro na Câmara, ele mantém a direita e o bolsonarismo como bases de sua campanha e diz que não pretende esconder seu alinhamento ideológico.
O político afirma que a prisão de Bolsonaro fortaleceu o eleitorado de direita e conservador, em vez de afastá-lo. Na avaliação dele, Flávio Bolsonaro também vem atraindo parte dos eleitores que se distanciaram do ex-presidente nos últimos anos.
Apoio a Wilder e defesa de pacificação
No cenário estadual, Vitor Hugo aposta que Wilder Morais estará no segundo turno da disputa pelo Governo de Goiás. Ele também defende a permanência de Márcio Corrêa no PL e tenta aproximar o prefeito de Anápolis do senador, em meio ao processo de expulsão do partido motivado pelo apoio de Corrêa à reeleição de Daniel Vilela.
Vitor Hugo afirma que há mais pontos de convergência do que divergências entre os integrantes do grupo. Segundo ele, Márcio Corrêa, Wilder Morais, Gustavo Gayer e o próprio candidato apoiam Flávio Bolsonaro, além de Corrêa também declarar apoio à sua candidatura.
Para o ex-deputado, o conflito interno não é estratégico a menos de 30 dias da eleição. A união, segundo ele, é necessária para fortalecer as candidaturas do partido ao governo, ao Senado e às casas legislativas. “Nessa disputa, torço pela paz”, afirmou.
Vitor Hugo diz atuar como uma ponte entre Wilder Morais e Márcio Corrêa. Ele lembra que Wilder chegou ao PL após seu convite e que Corrêa também entrou na legenda com o aval de Daniel Vilela. Na avaliação dele, os dois lados têm argumentos, mas o momento exige redução do acirramento.
O candidato rejeita trabalhar com a possibilidade de Wilder não avançar ao segundo turno. Ele afirma que a campanha está concentrada na vitória do senador na primeira etapa da disputa.
Campanha para voltar à Câmara
A escolha pela candidatura a deputado federal ocorreu depois de conversas com Bolsonaro, com a direção nacional do PL e com outros políticos. Vitor Hugo já ocupou uma cadeira na Câmara entre 2019 e 2023, foi líder do governo Bolsonaro e disputou o governo estadual, quando recebeu mais de meio milhão de votos.
Depois, foi eleito vereador mais votado de Goiânia. Ele afirma que essas experiências ampliaram seu conhecimento político e pretende apresentá-las ao eleitor junto com suas posições sobre segurança pública, defesa da vida, famílias e mulheres.
Durante o primeiro mandato na Câmara, diz ter destinado quase R$ 400 milhões em emendas para cerca de 200 cidades. Em Goiânia, foram quase R$ 40 milhões indicados, com a maior parte já paga. Também cita projetos relacionados à segurança pública, ao combate ao terrorismo, aos produtores de leite e aos colégios militares.
A campanha mantém imagens de Bolsonaro e Flávio Bolsonaro em vídeos e materiais. Vitor Hugo diz que Goiás é um estado de direita e conservador e que pretende deixar clara sua identidade política.
Segurança pública e experiência política
Vitor Hugo reconhece avanços dos governos de Ronaldo Caiado e Daniel Vilela na segurança pública, mas aponta problemas nas carreiras policiais e no efetivo. Para ele, o governo investiu nas instituições e adotou um discurso favorável aos policiais, mas ainda há déficit de pessoal e diferenças entre o número autorizado pela legislação e o contingente existente.
Ele também afirma que Goiás apresenta situação melhor em relação aos crimes contra o patrimônio, mas precisa avançar em áreas como o feminicídio. Na avaliação do candidato, a melhoria da segurança depende também de investimentos nas carreiras e da preservação da hierarquia e da disciplina das instituições militares.
Caso retorne à Câmara, Vitor Hugo diz que estará mais preparado para o diálogo, a articulação política e a busca por emendas e recursos para Goiás. Ele reconhece que, no primeiro mandato, teve uma relação conflituosa com Rodrigo Maia, então presidente da Câmara, e afirma que hoje manteria suas posições, mas conduziria o relacionamento com mais habilidade.
O político também avalia que sua experiência como vereador de Goiânia contribuiu para sua formação. Ele destaca a aprovação do Escudo Feminino, programa voltado à proteção de mulheres vítimas de violência, e afirma que pretende continuar atuando por políticas públicas de segurança e proteção social.







