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Goiás avalia antecipar plantio de soja diante de chuvas irregulares
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Goiás avalia antecipar plantio de soja diante de chuvas irregulares

Agrodefesa analisa encurtar o vazio sanitário, enquanto produtores divergem sobre os riscos de semear antes de 25 de setembro.

A Agrodefesa avalia encurtar o período de vazio sanitário da soja em Goiás para permitir o início antecipado da semeadura em propriedades com umidade suficiente ou irrigação. A proposta ocorre após chuvas recentes em parte do Estado, mas também diante da possibilidade de novas estiagens e temperaturas elevadas.

Atualmente, o vazio sanitário termina em 24 de setembro, e o plantio está autorizado a partir de 25 de setembro. A medida busca reduzir a sobrevivência do fungo responsável pela ferrugem asiática, uma das principais doenças da cultura. Por isso, uma eventual mudança precisa manter o controle fitossanitário.

O presidente da Agrodefesa, José Ricardo Caixeta Ramos, afirma que a análise já estava em andamento antes do pedido formal da Aprosoja. A intenção é avaliar uma antecipação controlada, voltada a propriedades que realmente tenham condições de iniciar a lavoura. “Algumas regiões já têm, sim, umidade suficiente”, afirmou.

A possibilidade não abrangeria todo o Estado. Produtores que receberam chuva suficiente ou contam com irrigação poderiam ser beneficiados, enquanto as demais propriedades teriam de seguir o calendário vigente.

Impacto sobre a segunda safra

A antecipação é discutida também por causa do calendário do milho e de outras culturas. Quanto mais tarde a soja for plantada, mais tarde ocorrerá a colheita, reduzindo a janela para a segunda safra e aumentando a exposição da produção a períodos secos no fim do ciclo.

O secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ademar Leal, é favorável ao encurtamento do vazio sanitário. Ele avalia que a mudança pode ajudar produtores pressionados pelos preços das commodities, desde que não prejudique a sanidade vegetal.

A decisão, porém, não é consenso entre os agricultores. Em Rio Verde, o engenheiro agrônomo e produtor rural Roildes Ribeiro Benevides, que trabalha há cerca de 30 anos com lavoura, prefere manter o calendário tradicional. Para ele, uma semeadura muito precoce pode deixar a soja mais vulnerável ao calor e a períodos prolongados sem chuva.

A região recebeu precipitações recentes, com pontos acumulando volumes próximos de 100 milímetros. Ainda assim, Ribeiro considera o clima instável e pretende decidir somente depois do encerramento do vazio sanitário. “Eu acho que é uma ação de risco”, afirmou.

O produtor pretende investir em correção do solo, desenvolvimento das raízes, escolha de cultivares mais tolerantes ao calor e adubação para fortalecer as plantas em períodos de estresse.

Em Chapadão do Céu, Eduardo Peixoto também descarta o plantio imediato. Ele trabalha com cerca de 5 mil hectares de soja, além de cana-de-açúcar e milho safrinha, e espera iniciar a semeadura no começo de outubro. Para ele, as chuvas recentes não foram suficientes para afastar o risco de plantar durante o período seco.

Previsões climáticas mantêm incertezas

O efeito do El Niño divide as avaliações. Roildes Ribeiro afirma que ainda não há consenso sobre a confirmação do fenômeno nem sobre sua intensidade. Ademar Leal destaca que os impactos podem variar dentro de Goiás, com diferenças entre o norte e as regiões sul e sudoeste.

O Corpo de Bombeiros também acompanha a possibilidade de uma sequência mais seca. O comandante-geral da corporação em Goiás, coronel BM Washington Luiz, afirma que as previsões indicam pouca chuva em outubro e novembro, com possibilidade de precipitações apenas perto do Natal. Segundo ele, os mananciais estão em baixa e uma sequência de 60 a 90 dias com pouca chuva poderia ampliar os problemas relacionados a incêndios e abastecimento de água.

As chuvas recentes aliviaram temporariamente a situação, mas não garantem o começo consolidado da estação chuvosa. Para a lavoura, uma precipitação isolada pode melhorar a umidade do solo sem assegurar água suficiente para as primeiras fases do desenvolvimento da soja.

Produção e custos pressionam decisão

A soja tem peso central no agronegócio de Goiás. Para a safra 2025/26, a Seapa estima produção de 20,1 milhões de toneladas e produtividade de 3,9 toneladas por hectare. A média nacional projetada é de 3,7 toneladas por hectare.

Entre as safras 2016/17 e 2025/26, a produtividade das lavouras goianas cresceu 15,6%, a produção avançou 81,7% e a área plantada aumentou 57,2%. Em março, a Seapa registrava Goiás como o quarto maior produtor e exportador de soja. De janeiro a setembro de 2025, o Estado exportou 13,5 milhões de toneladas do complexo soja, alta de 11,1% sobre o mesmo período anterior.

A rentabilidade, entretanto, é afetada pelos custos. Em Rio Verde, a Conab estimou em R$ 5.602,89 por hectare o custo de produção da safra 2025/26, o segundo maior valor da série histórica do município. O crédito também ficou mais caro, segundo produtores ouvidos.

A eventual mudança no calendário precisa ainda respeitar as regras sanitárias. A Seapa estabeleceu o vazio sanitário de 2026 entre 27 de junho e 24 de setembro, com semeadura originalmente autorizada entre 25 de setembro e 2 de janeiro de 2027. A eliminação de plantas vivas, incluindo tigueras, busca reduzir a permanência do fungo da ferrugem asiática.

A avaliação do governo estadual e da Agrodefesa indica uma possível flexibilização localizada, não uma recomendação geral para antecipar o plantio. Mesmo com autorização, cada produtor terá de considerar a umidade do solo, a previsão climática, a cultivar, o sistema de produção e a capacidade de enfrentar novos períodos de estiagem. A decisão final deve variar conforme as condições de cada propriedade.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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