GOIÂNIA — O aumento no preço do botijão de gás pode dificultar a continuidade do programa Gás do Povo em Goiás. O reajuste anunciado pelas distribuidoras fica entre R$ 3 e R$ 4 para o botijão de 13 quilos, mas pode alcançar R$ 8 no valor final, especialmente em cidades mais isoladas, por causa dos custos de distribuição.
O ajuste ocorre anualmente em setembro e está relacionado aos aumentos salariais dos funcionários das engarrafadoras e distribuidoras. Em Goiânia, o botijão é encontrado atualmente por valores entre R$ 115 e R$ 120. Embora o reajuste tenha sido anunciado no dia 1º de setembro, parte das revendedoras ainda não repassou a alta aos clientes.
Impacto no Gás do Povo
No programa, a Caixa Econômica paga R$ 104 pelo gás destinado às pessoas que têm direito ao benefício. Com a elevação dos custos, revendedoras avaliam deixar de participar da política pública, caso o governo federal não atualize o valor repassado.
Zenildo do Vale, presidente do Sinergás GO-MT-MS, classificou o aumento como desproporcional. “As companhias estão passando o aumento abusivo, que podia ser R$ 0,50”, declarou.
Segundo o dirigente, a distribuição pode encarecer ainda mais o produto no interior. Os atacadistas compram os botijões das companhias e fazem as entregas aos pequenos depósitos, que não têm escala para adquirir um caminhão próprio.
Vale afirma que 90% dos depósitos de Goiás são pequenos e 10% são atacadistas. Os estabelecimentos menores comercializam entre 300 e 1.500 botijões por mês.
Para os próximos reajustes, o presidente do sindicato defende que as empresas comuniquem o governo antecipadamente. Assim, o valor pago pelo Gás do Povo poderia ser atualizado antes da alta chegar às revendedoras. “Como que o cara vai entregar um gás de R$ 104,00?”, questionou.







