O presidente da distrital de Richmond do Federal Reserve (Fed), Tom Barkin, afirmou que é preciso avaliar a demanda pelos títulos soberanos dos Estados Unidos para entender a recente turbulência no mercado de Treasuries. Ele foi questionado sobre as ações do Tesouro dos EUA no mercado, mas não comentou a validade das medidas adotadas.
“Precisamos nos perguntar o que está acontecendo com a demanda”, disse Barkin. Para o dirigente, o preço dos títulos depende da relação entre oferta e procura, enquanto o volume de oferta está elevado.
Nos últimos dias, as taxas dos Treasuries passaram por uma forte reprecificação. O rendimento do T-bond de 30 anos superou, na quarta-feira (23), o maior nível desde 2004. Já o yield da T-note de dez anos alcançou o patamar mais alto desde 2007.
A movimentação ocorreu após a S&P Global divulgar dados de atividade econômica dos Estados Unidos acima das expectativas, em um cenário de pressão inflacionária. Também contribuíram para o quadro um leilão de T-notes de cinco anos com demanda fraca, declarações mais conservadoras de integrantes do banco central americano e o anúncio dos valores de recompra de títulos pelo Tesouro, em meio à preocupação com a situação fiscal.
Quem deixou de comprar Treasuries
Barkin destacou que o Fed já não atua como comprador dos títulos. Em dezembro, o banco central americano encerrou o processo de aperto quantitativo, conhecido como quantitative tightening ou QT, e implementou o programa de compras de gestão de reservas, o RMP.
Segundo o dirigente, a China também deixou de comprar Treasuries. Além disso, as taxas de títulos soberanos de outros países ficaram mais atrativas, enquanto as emissões de dívida de hyperscalers aumentaram a concorrência nos mercados de renda fixa.
Sobre a política monetária, Barkin repetiu os principais pontos de seu discurso mais recente, feito há dois dias. Ele afirmou que o mercado de trabalho está estável, apesar do baixo ritmo de contratações. Também disse que, entre as duas últimas reuniões, ficou mais claro que os preços elevados do petróleo, os investimentos em inteligência artificial e os custos das tarifas devem permanecer, levando o Fed a elevar os juros pela primeira vez desde 2023.







