Poços de Caldas, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
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Paralisação na Caixa trava repasses e ameaça fluxo de caixa do setor imobiliário
Câmbio e custos

Paralisação na Caixa trava repasses e ameaça fluxo de caixa do setor imobiliário

Atrasos atingem contratos do Minha Casa, Minha Vida, medições de obras, corretores e financiamentos com recursos do FGTS.

A paralisação dos funcionários da Caixa Econômica Federal interrompe etapas importantes do crédito imobiliário, enquanto novos pedidos continuam chegando por canais digitais e correspondentes bancários. Em operação regular, o banco vinha fechando mais de 3 mil contratos de financiamento imobiliário ao dia, segundo Cyro Naufel, diretor de relações com investidores da Lopes.

O descompasso preocupa o setor porque a Caixa concentra praticamente todos os contratos do Minha Casa, Minha Vida (MCMV). De acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), as vendas do programa representaram metade de tudo o que foi comercializado no país no primeiro semestre. Na cidade de São Paulo, o MCMV respondeu por 69% das unidades vendidas nos últimos 12 meses até julho, conforme o Secovi-SP.

Obras e repasses sob pressão

A greve, iniciada no dia 10, atrasa tanto a formalização de novos financiamentos quanto a liberação de recursos para construções em andamento. No MCMV, a Caixa faz medições mensais para verificar a evolução da obra antes de liberar os pagamentos. Com essa rotina prejudicada, pequenas e médias incorporadoras relatam aperto financeiro.

Um empresário do setor, que pediu anonimato, descreveu como “caos” a situação entre empresas desse segmento. Ele afirmou que as companhias de capital aberto têm mais caixa para suportar a espera, enquanto negócios menores enfrentam os efeitos dos juros altos. José Pedro Donadon, CEO da ADN Construtora, disse que os atrasos nas medições pressionam diretamente o fluxo de caixa da empresa.

A Open, braço voltado ao MCMV do grupo gaúcho Melnick, conseguiu realizar as medições no período, mas ainda aguarda repasses de clientes pela Caixa. A CEO Renée Garófalo estima que 45 a 49 contratos dependam de uma solução do banco. A preocupação é que, durante a espera, o cliente assuma uma dívida e tenha a análise de crédito prejudicada.

Donadon também afirmou que a esteira de repasses está paralisada, com possível impacto nos resultados deste mês. Em relatório publicado na terça-feira (22), analistas do BTG Pactual avaliaram que a greve pode afetar o resultado das incorporadoras no terceiro trimestre, especialmente a geração de caixa. O relatório ressalvou que não é possível calcular as perdas enquanto a duração da paralisação não estiver definida. Com o fim da greve, parte da geração de caixa pode ser transferida para o quarto período.

Efeitos fora do programa habitacional

O impacto alcança empresas que não trabalham com o MCMV. Até julho, a Caixa respondeu por 44% das contratações de crédito imobiliário com recursos da poupança para compra de imóveis e por 59% das operações com esses recursos destinadas ao financiamento da construção de empreendimentos.

O uso do FGTS na compra da casa própria também depende de liberação da Caixa, o que interfere em financiamentos realizados por outros bancos. Corretores enfrentam outra consequência: a taxa de corretagem costuma ser paga pela incorporadora depois que o financiamento do cliente é repassado pela Caixa. Sem essa etapa, o profissional responsável pela intermediação não recebe sua parte.

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) vai analisar o pedido de dissídio coletivo proposto pelo banco, depois que a instituição acionou a Justiça nesta quinta-feira (24). Para Renée Garófalo, a centralidade da Caixa no setor está ligada ao peso da habitação entre os produtos do banco, além da atuação no segmento social.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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