O crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada atingiu inadimplência de 10,03% em julho de 2026, o maior percentual da série analisada pela Fecomércio-MG. Em janeiro deste ano, o índice era de 5,67%.
O levantamento foi realizado pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da entidade, com dados do Banco Central do Brasil. A pesquisa também mostra que o saldo da modalidade subiu de R$ 41,62 bilhões, em março de 2025, para R$ 117,66 bilhões em julho de 2026. O crescimento foi de 182,72% desde a criação do programa Crédito do Trabalhador.
A taxa média de juros, que ficou próxima de 2,76% ao mês em 2023 e 2024, passou a 3,62% ao mês em 2025 e chegou a 3,77% ao mês no período de janeiro a julho de 2026.
Contratações em alta
O volume contratado também avançou. Em 2024, foram R$ 19,22 bilhões. O valor aumentou 183,60%, chegando a R$ 54,51 bilhões em 2025. Nos primeiros sete meses de 2026, as contratações alcançaram R$ 61,45 bilhões, alta interanual de 180,63%.
Para Henrique Braga, economista da Fecomércio-MG, os dados oficiais não permitem identificar o destino dos recursos. Ele afirma que, diante do endividamento e do comprometimento da renda das famílias, o dinheiro pode estar sendo usado para despesas correntes, renegociação de dívidas mais caras ou necessidades básicas de consumo.
Braga também diz que não é possível confirmar, com as informações disponíveis, o uso do consignado em jogos on-line e apostas esportivas. A possibilidade, porém, é mencionada diante da preocupação de especialistas com alocações não produtivas e de alto risco.
“O crédito consignado, principalmente o privado, pode ser uma ferramenta importante quando é utilizado para substituir dívidas mais caras ou enfrentar necessidades específicas”, afirma o economista. Segundo ele, quando o crédito financia despesas recorrentes ou é contratado sem capacidade adequada de pagamento, pode contribuir para o superendividamento e comprometer o orçamento familiar por longo período.
As parcelas são descontadas diretamente no contracheque por vários períodos, o que, de acordo com Braga, pode reduzir a capacidade de consumo futuro e exige educação financeira dos trabalhadores.







