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Sorvete mineiro ganha versões menores e mira consumo mais frequente
Câmbio e custos

Sorvete mineiro ganha versões menores e mira consumo mais frequente

Pesquisa mostra que consumidores reduziram o tamanho das porções, mas seguem frequentando sorveterias e valorizam sabor, qualidade e opções funcionais.

O mercado de sorvetes em Minas Gerais acompanha uma mudança no comportamento dos consumidores: porções menores, produtos sem açúcar e versões com proteína ganham espaço, enquanto a frequência nas sorveterias se mantém. O consumo médio no estado chegou a 9,5 litros por pessoa, acima da média brasileira.

Os dados são de uma pesquisa da Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis (Abrasorvete), conduzida pela Empresa Júnior da Fundação Getulio Vargas (EJFGV). O levantamento ouviu 2,5 mil pessoas em todo o País e apontou consumo per capita nacional de 8,68 litros por ano, alta de 13% em relação aos 7,7 litros registrados na pesquisa anterior, realizada há dois anos.

Porções menores, consumo preservado

Entre os entrevistados que usam medicamentos para emagrecimento à base de GLP-1, 54,1% disseram ter reduzido o tamanho das porções. A pesquisa também indica que 40,5% desse grupo procuram sorvetes sem açúcar, enquanto 36,2% preferem produtos proteicos.

A redução do volume, porém, não veio acompanhada do abandono da sobremesa. Segundo Wander Bertolace, presidente do Sindicato da Indústria de Sorvetes do Estado de Minas Gerais (Sindisorvete MG), os consumidores continuam indo às sorveterias, mas escolhem quantidades menores e produtos com apelo funcional.

A disposição para pagar mais por opções gourmet ou artesanais foi apontada por 73,7% dos consumidores. Ingredientes naturais aumentariam a intenção de compra de 40,4% do público, e produtos ricos em proteína atraem 34,8%.

Sabor pesa mais que preço

O sabor é o principal critério de escolha para 62,6% dos entrevistados. O preço aparece na sequência, citado por 15,6%. Cremosidade e intensidade do sabor também são relacionadas à qualidade pelos consumidores.

Na Easyice, o diretor Francisco Melo afirma que a empresa vem ampliando o portfólio com novos sabores, formatos e produtos. A linha inclui versões sem adição de açúcar e itens à base de frutas e chocolate.

“A pessoa que usa medicamento para emagrecimento tende a reduzir o volume, mas manter a qualidade”, disse Melo. Para ele, a combinação entre inovação e qualidade pode ajudar a preservar a fidelidade do público.

Mercado movimenta empresas mineiras

O mercado brasileiro de sorvetes movimenta cerca de R$ 18 bilhões por ano, conforme dados apresentados por Bertolace. Em Minas Gerais, um estudo do Sebrae Minas baseado em informações da Receita Federal identificou mais de 2,8 mil pequenos negócios ativos ligados a sorvetes e gelados comestíveis. São 1.520 microempresas, 1.035 microempreendedores individuais e 276 empresas de pequeno porte.

Na fabricação de sorvetes, especificamente, o estado reúne 484 empresas. Elas respondem por 3.243 empregos formais e uma massa salarial anual de R$ 85,6 milhões, de acordo com dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2025, divulgados pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

No primeiro trimestre de 2026, o setor teve saldo positivo de 51 empregos formais em Minas Gerais. No país, a atividade registrou retração de 181 postos no mesmo período.

Calor aumenta vendas e exige caixa

Na Easyice, as vendas da categoria cresceram em agosto na comparação com o mesmo mês de 2025. A empresa projeta alta de 30% neste ano. Francisco Melo relaciona o desempenho às temperaturas: “Existe uma correlação muito elevada entre nossas vendas e a temperatura.”

A atividade, no entanto, mantém forte sazonalidade. Os volumes podem cair no inverno, enquanto a retomada começa antes da chegada oficial do verão. A pesquisa da Abrasorvete mostra que 71,3% dos entrevistados consomem sorvete ao menos uma vez por semana durante o verão. No inverno, o produto deixa de ser consumido por apenas 8,2% dos participantes.

Para a Easyice, o planejamento financeiro é necessário porque o aumento das vendas, o recebimento dos clientes e as obrigações tributárias não acontecem no mesmo momento. A carga tributária pode representar entre 35% e 40% da operação. A empresa também precisa organizar férias das equipes, manutenção de equipamentos e estoques.

Busca por outros mercados

Empresas mineiras mantêm contatos comerciais para levar produtos a Portugal, Dubai e Espanha. O movimento também inclui o açaí, produzido por parte das indústrias de sorvetes.

A Easyice já atende Minas Gerais, São Paulo e Distrito Federal e avalia uma futura entrada no mercado externo, especialmente com produtos à base de açaí. A companhia ainda pretende estruturar melhor a fábrica antes de iniciar as exportações.

O setor também investe em tecnologia, automação, desenvolvimento de produtos e segurança alimentar. Na avaliação do Sindisorvete MG, a presença de empresas menores contribui para a capilaridade da atividade e para a popularidade do sorvete entre os mineiros.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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