A indústria de Minas Gerais perdeu ritmo em agosto, segundo sondagem da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). O índice de evolução da produção ficou em 43,3 pontos, abaixo da marca de 50 pontos que separa crescimento e retração. Em julho, o indicador havia alcançado 51,7 pontos.
Na comparação com agosto de 2025, quando o índice marcou 44,3 pontos, houve queda de 1 ponto. A Fiemg relacionou parte do resultado ao menor número de dias úteis no mês. Para a economista Daniela Muniz, da entidade, a redução pode continuar até o segundo mês de 2027.
“As perspectivas dos empresários para os próximos seis meses seguem negativas”, afirmou Daniela. As expectativas para demanda, compras de matérias-primas e emprego indicaram retração. As intenções de investimento também recuaram e permaneceram abaixo da média histórica.
Emprego e capacidade instalada recuam
O índice de evolução do número de empregados ficou em 46,6 pontos em agosto, ante 48,5 pontos em julho. Como permaneceu abaixo de 50 pontos, o indicador continuou sinalizando redução no emprego industrial.
A utilização da capacidade instalada em relação ao padrão habitual do mês também diminuiu. O indicador chegou a 39,3 pontos em agosto, contra 43,4 pontos em julho. Na comparação com o mesmo mês de 2025, houve queda de 1,4 ponto.
Os estoques de produtos finais recuaram após dois meses consecutivos de alta. O índice ficou em 47,9 pontos, assim como o indicador de estoque efetivo em relação ao planejado. De acordo com o levantamento, os estoques permaneceram abaixo do nível previsto pelos industriais pelo 13º mês consecutivo.
Expectativas para o fim do ano
Os três índices de expectativa acompanhados pela Fiemg apontaram queda para os próximos seis meses. A intenção de investimento passou de 53,8 pontos em agosto para 51,4 pontos em setembro, abaixo da média histórica de 52,9 pontos.
Daniela Muniz também citou o cenário econômico como fonte de incertezas. O IPCA registrou deflação de 0,32% em agosto, enquanto a inflação acumulada em doze meses recuou para 4,22%. Ainda assim, as expectativas de inflação para 2026 e 2027 ficaram acima da meta, segundo a economista.
O segundo semestre costuma ser mais aquecido para a indústria, com o aumento do consumo associado à Black Friday e às festas de fim de ano. A avaliação da Fiemg é que os próximos meses ajudarão a indicar se a perda de ritmo foi pontual ou se representa uma tendência de desaceleração.







