Documentos divulgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira, 11, mostram negociações entre empresas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro e o escritório Barci de Moraes. A banca tem entre os sócios Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e dois filhos do casal.
Os acordos analisados previam honorários mensais de R$ 3 milhões durante 36 meses. Se os dois documentos tivessem sido assinados e executados por todo o período, o valor chegaria a R$ 108 milhões em cada contrato, ou R$ 216 milhões no total.
O que previam os documentos
Firmado em janeiro de 2024, o contrato entre o Banco Master e o escritório abrangia representação em processos judiciais em todas as instâncias. Também incluía serviços ligados a programas de compliance e atuação em procedimentos policiais e administrativos.
O acordo mencionava ainda atividades relacionadas ao Banco Central, à Receita Federal e ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
O segundo documento, de maio de 2025, envolvia a Viking Participações, controlada por Vorcaro. A proposta previa consultoria estratégica e atuação jurídica em processos judiciais em todas as instâncias, mas não tinha assinaturas.
A divulgação ocorreu depois que o ministro André Mendonça retirou parte do sigilo das investigações sobre o Banco Master, sob relatoria dele no STF. A decisão foi tomada após solicitação do presidente da Corte, Edson Fachin. Parte dos documentos continua sob sigilo.
O caso também inclui mensagens atribuídas a Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, divulgadas após a retirada parcial do sigilo.
Em nota, o escritório Barci de Moraes disse que somente uma contratação, com o Banco Master, foi efetivada. A banca afirmou que a proposta para a Viking Participações não foi aceita nem assinada. Também informou que o contrato original terminou após a liquidação do Banco Master e negou transferência ou substituição do acordo por outro instrumento.







