Poços de Caldas, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
A próxima viagem começa aqui
Dívida das maiores empresas brasileiras atinge recorde em 2025
Foto: Arte/Valor
Câmbio e custos

Dívida das maiores empresas brasileiras atinge recorde em 2025

As mil maiores empresas do país faturaram R$ 8,3 trilhões, mas encerraram 2025 com maior nível de endividamento da série histórica.

As mil maiores empresas do país alcançaram o maior nível de endividamento da série iniciada em 2000. Em 2025, a dívida onerosa da empresa mediana do ranking Valor 1000 equivalia a 72,2% do patrimônio líquido, acima dos 62,2% registrados em 2024 e dos 52,3% de 2019.

O faturamento total chegou a aproximadamente R$ 8,3 trilhões, com crescimento real de 2,4%, praticamente alinhado à expansão de 2,3% do Produto Interno Bruto. A receita das mil maiores avançou 290% entre 2000 e 2025, enquanto o PIB real cresceu 75%.

Mais dívida e mais caixa

O endividamento mudou de patamar em 2020. Naquele ano, com a Selic em 2% ao ano, a dívida onerosa agregada subiu 15,2% em termos reais. A relação entre dívida e patrimônio do conjunto passou de 83,6% em 2019 para 92,4% em 2020 e, desde então, não ficou abaixo de 88%.

Ao mesmo tempo, as empresas ampliaram o caixa. A liquidez corrente mediana passou de 1,42 em 2019 para 1,45 em 2020 e chegou a 1,55 em 2025, o maior nível da série. A combinação elevou o custo financeiro, especialmente porque parte da dívida contratada em 2020 e 2021, com a Selic entre 2% e 4% ao ano, foi rolada a partir de 2022, quando a taxa básica estava em dois dígitos.

Em 2025, a dívida real da empresa mediana cresceu 5,5%, enquanto o patrimônio líquido recuou 3,4%. Ao fim do ano, 41,6% das companhias deviam mais do que o valor de seu patrimônio, contra 37,2% em 2024 e 31,6% em 2019. A Petrobras informou dívida onerosa de R$ 384 bilhões, mas a alta também apareceu na mediana das demais empresas.

A dívida agregada correspondia a 2,66 vezes o Ebitda, ante 2,41 em 2024 e 2,62 em 2019. A margem Ebitda ficou em 18,2%, próxima dos 18,4% de 2024 e dos 18,7% de 2019, indicando que a pressão veio da estrutura de capital, e não de uma queda aparente na operação.

Câmbio ajudou o resultado financeiro

Mesmo com a Selic média subindo de 10,8% para 14,2% ao ano, o resultado financeiro agregado melhorou: passou de R$ 470 bilhões negativos em 2024 para R$ 308 bilhões negativos em 2025. Como esse indicador reúne juros e variação cambial, a melhora pode estar relacionada à queda do dólar.

A moeda americana recuou 11,2% em 2025 e encerrou o ano a R$ 5,49. Em 2024, havia subido cerca de 27% em relação ao real, gerando perdas cambiais sobre passivos em moeda estrangeira.

O retorno sobre o patrimônio das mil maiores empresas foi de 12,5%, abaixo da Selic média de 14,2%. Ainda assim, houve melhora nos resultados: a margem líquida subiu de 4,5% para 5,6%, o lucro líquido real cresceu 24% e a parcela de empresas no prejuízo caiu de 18,8% para 15,8%. O ROE mediano ficou em 14,1%.

A situação variou entre os setores. Serviços médicos tiveram 45,7% das empresas no prejuízo, ROE de 1,3% e dívida equivalente a 4,2 vezes o Ebitda. Mecânica registrou ROE de 32,6%, construção e engenharia, 29,5%, papel e celulose, 23,6%, e transportes e logística, 22,3%.

A mediana da dívida onerosa superou 100% do patrimônio no setor elétrico, chegando a 101,0%. No agronegócio, a alavancagem mediana alcançou 139,0% do patrimônio líquido e quatro vezes o Ebitda.

O Banco Central iniciou o afrouxamento em março de 2026. O movimento ocorre enquanto o estoque de dívida está no maior nível da série e o patrimônio líquido encolheu em termos reais.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5