O Sudeste continua como principal polo econômico do Brasil, responsável por 53% do Produto Interno Bruto (PIB) e por 51,9% da renda nacional, conforme os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2025, porém, a região enfrentou efeitos das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e mudanças no câmbio.
A economia regional reúne exportações de manufaturados e commodities como petróleo do Rio de Janeiro, café e minério de ferro de Minas Gerais e suco de laranja de São Paulo. Para Fernanda Guardado, economista-chefe para América Latina do BNP Paribas, a desvalorização global do dólar afetou a inflação e os custos de importação.
Luiz Martins de Melo, pesquisador associado do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), também aponta uma defasagem tecnológica. Na avaliação dele, “o dinamismo da região já não atende às novas realidades”, apesar de o Sudeste concentrar dois terços dos serviços da economia brasileira e uma parcela relevante da indústria.
Entre as cinco primeiras empresas do ranking regional do Valor 1000, Petrobras, JBS, Vale e Vibra apresentaram desempenho positivo. A exceção foi a Raízen, cuja receita líquida caiu 12% e que entrou em recuperação extrajudicial neste ano.
A Petrobras teve receita líquida de R$ 498 bilhões, com crescimento de 1,4%. A JBS avançou 15%, para R$ 481 bilhões; a Vale cresceu 3,7%, chegando a R$ 214 bilhões; e a Vibra alcançou R$ 190 bilhões, com alta de 10%.
Investimentos e produção
Mesmo com a queda de 14% no preço do petróleo Brent, a Petrobras bateu recorde de exportações em 2025, com 765 mil barris por dia — aumento de 27,1% em relação a 2024. A China respondeu por 53% das compras de petróleo brasileiro.
Dos R$ 112,9 bilhões aplicados pela companhia em 2025, 84% foram destinados à exploração e à produção. Três novas unidades entraram em operação e adicionaram 585 mil barris por dia à capacidade nominal. Para 2026, a meta é elevar a produção de 2,4 milhões de barris de petróleo por dia para mais de 2,5 milhões.
A JBS prevê US$ 2 bilhões em investimentos em 2026, com foco em expansão, produtividade, automação, tecnologia e produtos de maior valor agregado. A Vibra incorporou 404 postos à rede em 2025 e embandeirou outros 385 no primeiro semestre de 2026. A estratégia ajudou a empresa a registrar Ebitda ajustado de R$ 7,9 bilhões.
Na Vale, um dos objetivos para 2026 é desenvolver projetos para dobrar a produção de cobre até 2035. A empresa também informou a produção de 26 milhões de toneladas de minério a partir de fontes circulares.







