As 27 empresas líderes de seus setores mantiveram os planos de expansão, ampliaram o uso de tecnologia e avançaram em iniciativas de sustentabilidade e descarbonização. Em média, a receita líquida dessas companhias cresceu 7,4% em 2025, abaixo dos 7,8% registrados pelo conjunto de 1000 empresas do anuário.
No acumulado dos últimos cinco anos, porém, a expansão média da receita das vencedoras chegou a 16,2%, contra 13% nas demais empresas. Entre os destaques estão os investimentos em infraestrutura, a criação de ecossistemas de serviços, a adaptação às importações e a busca por maior eficiência diante dos juros elevados.
Infraestrutura e novos ecossistemas
As concessionárias de serviços públicos mantiveram investimentos de grande porte. A Sabesp deve aplicar R$ 70 bilhões para antecipar, de 2033 para 2029, a meta de universalização do abastecimento de água tratada e da coleta e tratamento de esgoto em sua área de concessão. A Acciona entrou no setor por meio da Acciona Água Brasil após vencer quatro concessões, que exigirão R$ 20 bilhões.
A Telefônica investiu R$ 9,3 bilhões no Brasil no ano passado, principalmente em redes 4G e 5G e em fibra óptica. No setor de serviços, a Stone ampliou sua atuação para além das maquininhas e passou a se posicionar como banco para pequenos e médios empreendedores. A Smart Fit criou a Total Pass, enquanto a Afya pretende apoiar médicos também depois da formação profissional.
A sustentabilidade aparece nas estratégias de diferentes companhias. A Votorantim Cimentos moderniza fábricas para reduzir emissões de gases de efeito estufa e desenvolve produtos mais sustentáveis. A CPFL alcançou, em 2025, uma matriz de geração 100% renovável. A Suzano estabeleceu o objetivo de reduzir em até 50,4% as emissões dos escopos 1 e 2 até 2032.
A Santos Brasil investe R$ 500 milhões na substituição de equipamentos a diesel por modelos elétricos, com a meta de cortar 70% das emissões de carbono até 2050.
Resiliência, consumo e inovação
A concorrência com produtos importados e as questões geopolíticas levaram empresas a reorganizar operações. A Gerdau ampliou a produção na América do Norte, a WEG reorganizou rotas de exportação e a Basf reforçou a infraestrutura local para reduzir vulnerabilidades de abastecimento. A Inpasa construiu silos para armazenar milho e passou a fabricar produtos de maior valor agregado, como óleo de milho e DDGS.
A Copacol deverá investir R$ 1 bilhão até 2028 na expansão da produção de aves e suínos. Desse total, R$ 300 milhões serão destinados ao reforço da rede de armazéns e ao aumento da capacidade de recebimento de grãos.
Enquanto a Valgroup concentrou esforços em segmentos de consumo essencial, a Cury manteve foco em habitação popular no Rio de Janeiro e em São Paulo. A Sotreq, por outro lado, apostou na diversificação de produtos e setores para ampliar as vendas de máquinas e sistemas Caterpillar.
O consumo interno foi afetado em 2025 pelos juros altos e pelo endividamento de famílias e empresas. Na Ambev, a queda no volume vendido foi acompanhada por aumento da margem Ebitda. A Renner ampliou margem, lucro e retorno sobre o capital no ano, apesar de um quarto trimestre mais fraco. A Intelbras priorizou disciplina financeira e crescimento com qualidade.
A inovação também recebeu recursos. A CBMM destina anualmente até R$ 300 milhões a seu programa de tecnologia para buscar novos usos para o nióbio. A EMS investe 6% do faturamento anual em pesquisa. A Embraer aplica, em média, 5% da receita anual em pesquisa, desenvolvimento e inovação. A Shell destinou cerca de R$ 500 milhões em PD&I, em 2025, incluindo projetos ligados à inteligência artificial.
O Grupo Fleury utiliza 50 tipos de ferramentas baseadas em IA e pretende avançar para agentes de IA. Na RD Saúde, são mais de cem casos de uso de ciência de dados e inteligência artificial em áreas como estoques e atendimento.







