MINAS GERAIS — A criação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata) pode acelerar negociações para novos empreendimentos digitais em Minas Gerais. O programa oferece incentivos fiscais a empresas que instalem ou ampliem data centers no Brasil, com redução do custo de implantação e expansão, principalmente pela desoneração de equipamentos.
Para Luis Tossi, vice-presidente da Associação Brasileira de Data Centers (ABDC), a medida aumenta o peso de características já presentes no Estado, como energia renovável, localização estratégica, infraestrutura e diversidade econômica e tecnológica. A proximidade com um dos maiores mercados consumidores de serviços de cloud do País também é apontada como vantagem.
André Martins, presidente do Instituto Brasileiro de Telecomunicações e Soluções Digitais (IBTD), acrescenta a oferta de profissionais qualificados e os programas de atração de investimentos. O Sindicato da Indústria de Software e da Tecnologia da Informação do Estado de Minas Gerais (Sindinfor) cita ainda universidades, centros de pesquisa, empresas de tecnologia e uma economia capaz de aplicar inteligência artificial em áreas como mineração, indústria, agronegócio, saúde e administração pública.
Projetos em diferentes regiões
Martins afirma que o potencial mineiro não se concentra em um único polo. Há iniciativas anunciadas ou em implantação em Varginha, Contagem, Leopoldina e Uberlândia. A Zona da Mata foi sinalizada para receber um parque de data centers, enquanto o Triângulo Mineiro é destacado pela infraestrutura de telecomunicações e pelos projetos em discussão.
Em Uberlândia, o secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Fabiano Alves, considera o Redata um requisito para a atração de investimentos. A RT-One anunciou, no ano passado, um data center no município, com aporte de R$ 6 bilhões. O projeto continua no papel, sem informação oficial de desistência por parte da prefeitura. Segundo Alves, a empresa enfrenta problemas societários e revisa investimentos e localização.
O secretário também aponta incentivos fiscais, incidência solar, infraestrutura, empresas de tecnologia, startups e instituições de ensino como fatores de atração. Em 2025, uma parceria com faculdades e universidades resultou na criação de seis cursos de graduação em inteligência artificial e cibersegurança.
Condições para empreendimentos de grande escala
O Redata pode favorecer Minas, mas não define sozinho onde os projetos serão instalados. De acordo com Martins, investidores também avaliam conexão à rede elétrica, capacidade de transmissão, redundância de fibra, licenciamento e segurança regulatória. “Minas já vem avançando nesse diagnóstico, inclusive com estudos para identificar regiões com infraestrutura adequada para empreendimentos de maior porte”, afirma.
Montes Claros aparece como outra possibilidade. O prefeito Guilherme Guimarães (União Brasil) cita energia limpa, posição estratégica, mão de obra qualificada e benefícios para empresas. O município está na área da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), com possibilidade de incentivos e acesso a recursos com taxas menores do Banco do Nordeste.
Tossi avalia que o regime pode ampliar a cadeia de investimentos associada aos data centers, incluindo energia, construção, telecomunicações, tecnologia, pesquisa e fornecedores. “Para Minas, isso pode significar não apenas novos data centers, mas investimentos em energia, construção, telecomunicações, tecnologia, pesquisa e em toda a cadeia de fornecedores que se desenvolve ao redor desses empreendimentos”, destaca.







