A região Sul reúne 20,6% das mil maiores empresas do país, participação superior à soma das fatias do Nordeste, do Centro-Oeste e do Norte. O resultado coloca o Sul atrás apenas do Sudeste e mostra uma estrutura produtiva marcada pela diversificação, mas com desempenhos diferentes entre Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Na receita líquida das empresas sulistas, o Paraná representa 44,7%, Santa Catarina responde por 29,4% e o Rio Grande do Sul, por 26%. A composição acompanha uma mudança registrada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no levantamento mais recente do Produto Interno Bruto (PIB), divulgado em 2025 com dados de 2023.
Santa Catarina teve o segundo maior crescimento econômico do país, enquanto o Rio Grande do Sul apresentou o segundo pior resultado. O Paraná também ultrapassou o Rio Grande do Sul entre as maiores economias estaduais, e Santa Catarina passou a ocupar o sexto lugar, à frente da Bahia.
Empresas refletem a diversificação
As seis maiores empresas da região ajudam a explicar o cenário. As duas líderes em receita líquida são catarinenses: a Bunge, do agronegócio, e a WEG, da indústria mecânica. No Paraná, aparecem Coamo, Lar, C. Vale e Copel, com atuação no agronegócio e no setor de energia elétrica.
Embora não tenham a maior receita líquida do grupo, WEG e Copel registram as maiores margens líquidas entre as seis empresas, de 16,6% e 10,3%. A WEG também superou pela primeira vez R$ 40 bilhões de faturamento. Alberto Kuba, CEO da companhia, atribuiu os resultados a um desempenho obtido apesar de tarifas dos Estados Unidos, falta de contêineres e atrasos relacionados às guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Mais de 60% da receita da empresa vem do exterior, enquanto os juros elevados dificultam o ambiente brasileiro.
A agropecuária continua relevante para a região, que respondeu por 27% do valor adicionado do setor no Brasil entre 2002 e 2022. Ao mesmo tempo, Paraná e Santa Catarina vêm agregando valor à produção por meio da indústria e de outros segmentos.
Rio Grande do Sul reage com a safra
O nível da taxa Selic, o mais alto das últimas duas décadas, reduziu o consumo das famílias e os investimentos em bens de capital. Nesse contexto, o Rio Grande do Sul teve um início de 2026 mais forte que os vizinhos. O PIB estadual cresceu 2,2% no primeiro trimestre, na comparação com os últimos três meses de 2025, acima do avanço de 1,1% do Brasil, de 0,5% do Paraná e da estabilidade de Santa Catarina.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, a economia gaúcha avançou 4,4%, ante média de 1,6% no biênio 2024-2025. A agropecuária foi o principal motor, com alta de 23,7% no valor adicionado do trimestre.
Estimativas do IBGE indicam expansão de 34,6% na sojicultura gaúcha em 2026, maior taxa esperada entre os Estados. A safra também impulsionou a indústria de transformação, especialmente na produção de alimentos, e os transportes usados para escoar a produção.
No começo de 2026, Paraná e Santa Catarina tiveram desempenho mais modesto. No Paraná, caíram segmentos como produtos químicos, máquinas e equipamentos e produtos de madeira, que representam 18% da atividade de transformação. Em Santa Catarina, as retrações alcançaram veículos automotores, máquinas e equipamentos e confecção de vestuário.







