O dólar à vista terminou a segunda-feira em alta de 0,43%, cotado a R$ 5,1472. A moeda chegou a R$ 5,1823 e atingiu R$ 5,1415 ao longo do pregão. O euro comercial recuou 0,01%, para R$ 5,9429.
A pressão veio principalmente do exterior. Os preços do petróleo se aproximaram de US$ 110 por barril nos contratos futuros mais líquidos do Brent, referência global. O movimento ocorreu após o fechamento de um importante oleoduto na Arábia Saudita, atribuído a ataques na região realizados pelos houthis, apoiados pelo Irã.
A alta da commodity aumentou a preocupação com a inflação e com a possibilidade de manutenção dos juros globais em níveis elevados. Nesse cenário, o rendimento do título do Tesouro americano alcançou 5% pela primeira vez desde 2023, favorecendo a valorização do dólar em diversos mercados.
Eleições e percepção de risco
No Brasil, a pesquisa Quaest mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um cenário de segundo turno. Pela margem de erro, porém, os dois aparecem empatados. O resultado ajudou a limitar uma perda maior do real durante a manhã e o começo da tarde.
O mercado avalia que uma alternância de poder pode favorecer a gestão da dívida pública. Com o avanço de Flávio nas pesquisas, o prêmio de risco dos ativos diminui. Em nota, o Société Générale afirmou que a valorização das commodities e a melhora dos termos de troca ajudam a proteger o real. O banco também apontou menor procura por proteção contra a queda da moeda brasileira.
Perto das 17h05, o índice DXY, que compara o dólar com uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, subia 0,40%, aos 99,517 pontos.
A analista Thu Lan Nguyen, do Commerzbank, avaliou que um conflito entre Donald Trump e Kevin Warsh, chefe do Federal Reserve, pode enfraquecer a relação tradicional entre juros americanos mais altos e dólar valorizado. Para ela, o risco aparece em prêmios maiores nas opções de proteção contra a desvalorização da moeda americana.
No mercado brasileiro, o dólar casado também ficou mais pressionado. O spread sobre os juros efetivos dos Fed funds superou 1,6%. O movimento ajuda a explicar o anúncio de uma nova operação de “casadão”, com venda de dólares no mercado à vista e compra no futuro por meio de swap reverso.






