Poços de Caldas, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
A próxima viagem começa aqui
EUA preparam regras para manter licenciamentos de remédios chineses
Foto: Thirdman/Pexels
Câmbio e custos

EUA preparam regras para manter licenciamentos de remédios chineses

Proposta do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos pode liberar acordos, desde que não envolvam patógenos ou biotecnologias que possam virar armas.

Os Estados Unidos estudam regras que podem preservar a maior parte dos acordos de licenciamento de medicamentos desenvolvidos por empresas chinesas. A proposta permitiria que farmacêuticas americanas investissem nesses produtos, desde que eles não estejam ligados a patógenos ou a biotecnologias com potencial de uso como armas.

A elaboração está sob responsabilidade do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. As regras ainda não foram concluídas e podem mudar, principalmente se Donald Trump decidir intervir. Autoridades do Tesouro e da Casa Branca não comentaram.

A medida seria menos restritiva do que defendem alguns parlamentares e representaria uma mudança em relação ao endurecimento promovido pelo governo Trump nas relações comerciais com a China em outras áreas, sob uma nova legislação de segurança nacional.

Acordos podem movimentar bilhões

A proposta abriria espaço para contratos de grande valor, capazes de abastecer os portfólios de medicamentos em desenvolvimento das empresas americanas e levar recursos às companhias chinesas. Os licenciamentos externos no setor de biotecnologia da China movimentaram US$ 115 bilhões no ano passado, segundo a GlobalData.

Quase metade dos acordos fechados por empresas americanas em 2025 para licenciar medicamentos estrangeiros envolveu companhias chinesas, proporção que continuou em 2026. A Bristol Myers Squibb fechou uma parceria com a Jiangsu Hengrui Pharma que pode alcançar US$ 15,2 bilhões. A Pfizer também anunciou uma colaboração de até US$ 10,5 bilhões com a Innovent Biologics, envolvendo 12 programas de oncologia.

A Pfizer esteve entre as grandes fabricantes que se reuniram nos últimos meses com integrantes do governo Trump. Albert Bourla, diretor-presidente da empresa, disse ter tratado de China e segurança nacional com Scott Bessent, Marco Rubio e representantes do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos.

Bourla defendeu que os licenciamentos não sejam limitados. “Não acho que essa seja a maneira de competir com a China, tentando desacelerá-los”, afirmou. Para ele, a origem do desenvolvimento não é o ponto principal: o que importa é a existência de um novo medicamento.

Parlamentares defendem mais controle

Empresas de biotecnologia de médio e pequeno porte apresentaram uma posição oposta à das grandes farmacêuticas. Elas afirmam que o ritmo atual de investimentos na China pode prejudicar, no longo prazo, as indústrias farmacêuticas dos Estados Unidos e da Europa.

Jason Kelly, diretor-presidente da Ginkgo Bioworks, levou esse argumento a autoridades do Tesouro. Ele presidiu um comitê consultivo do Congresso sobre concorrência em biotecnologia em 2023 e 2024. “Estamos confortáveis com uma dependência estratégica da China para medicamentos inovadores?”, questionou.

John Moolenaar e Debbie Dingell, parlamentares de Michigan, também defendem regras mais rígidas. Moolenaar preside o Comitê Especial da Câmara sobre o Partido Comunista Chinês e pediu que o Tesouro use a Lei COINS, aprovada em 2025, para aumentar o controle sobre transações farmacêuticas.

Os dois são coautores de um projeto que prevê regras mais rigorosas para investimentos em biotecnologia, licenciamentos e joint ventures com empresas chinesas. Jake Auchincloss, deputado cujo distrito em Massachusetts concentra empresas de ciências da vida, avalia que restringir os gastos americanos não conseguirá desacelerar a indústria chinesa. “A China está investindo US$ 100 bilhões em biotecnologia. A China tem cientistas brilhantes”, afirmou.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5