O Federal Reserve avalia reduzir de oito para seis o número de reuniões anuais destinadas à definição das taxas de juros. Pelo menos um terço das autoridades da instituição afirmou estar aberto a discutir a mudança, que ainda não foi formalmente detalhada pelo comitê de política monetária.
A legislação dos Estados Unidos exige que o banco central se reúna quatro vezes ao ano. Desde 1981, porém, as autoridades agendam oito sessões anuais. Na reunião de julho, o presidente do Fed, Kevin Warsh, sugeriu que seis encontros fossem usados para deliberar sobre os juros, enquanto duas reuniões separadas tratariam de temas econômicos de maior relevância.
A ata informou que encontros realizados aproximadamente a cada dois meses permitiriam o acúmulo de mais informações entre as decisões e dariam aos formuladores de política monetária e à equipe técnica mais tempo para analisar questões estratégicas.
Entre os dirigentes regionais que se declararam receptivos à proposta estão Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, Jeffrey Schmid, do Fed de Kansas City, e Anna Paulson, do Fed da Filadélfia. Ao todo, seis chefes regionais manifestaram abertura à redução da frequência.
Ainda não está definido se a proposta será discutida em detalhes na reunião marcada para 15 e 16 de setembro. A inflação elevada e a possibilidade de aumentar os juros pela primeira vez em três anos podem concentrar a atenção do encontro.
Efeitos sobre previsões e comunicação
A mudança no calendário também afetaria a divulgação de informações econômicas. Atualmente, o Fed publica previsões econômicas e projeções de taxas de juros quatro vezes ao ano, nas reuniões de março, junho, setembro e dezembro. Com seis reuniões, a instituição teria de decidir se manteria essas publicações e com que frequência elas seriam divulgadas.
O tema é analisado por uma força-tarefa de comunicação, um dos cinco grupos de especialistas externos criados por Warsh este ano para avaliar práticas do Federal Reserve. A expectativa é que os grupos encaminhem recomendações ao Comitê Federal de Mercado Aberto, o Fomc, por volta do final deste ano.
Austan Goolsbee, presidente do Fed de Chicago, disse que a revisão pode envolver a cadência das reuniões, as previsões econômicas e as coletivas de imprensa realizadas depois dos encontros. Anna Paulson também afirmou estar aberta à análise dos prós e contras de seis ou oito reuniões.
A ideia está alinhada ao plano de Warsh para que o banco central reduza, de modo geral, sua comunicação. Ao fim de sua primeira reunião como presidente, em junho, o Fed divulgou um comunicado mais curto e retirou parte da linguagem padronizada acumulada ao longo dos anos. Warsh também não se comprometeu a realizar coletivas de imprensa após cada reunião do Fomc além deste ano.
Diferenças em relação a outros bancos centrais
A redução faria o Fed se diferenciar de seus principais pares internacionais. O Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco do Japão realizam oito reuniões por ano.
Warsh já havia recomendado, em 2014, que o Banco da Inglaterra reduzisse seus encontros de 12 para oito, durante uma revisão das práticas de transparência da instituição. A justificativa era dar mais tempo para os formuladores de política monetária analisarem os dados, já que a economia raramente muda com rapidez suficiente para exigir alterações mensais nos juros. O banco britânico adotou a mudança.
Na audiência de confirmação, em abril, Warsh afirmou que a lei exige pelo menos quatro reuniões anuais, mas avaliou que esse número não era suficiente.
Para Vincent Reinhart, economista-chefe da BNY Investments e ex-economista sênior do Fed, menos reuniões poderiam reduzir a exposição do banco central a pressões políticas. Segundo ele, a mudança diminuiria a frequência de discussões de alto nível sobre política monetária sujeitas ao escrutínio de legisladores e da Casa Branca.







