A Intelbras fechou 2025 com receita operacional líquida de R$ 4,4 bilhões e manteve, neste ano, a trajetória de crescimento. No segundo trimestre, a companhia registrou lucro líquido de R$ 158,3 milhões, alta de 16,1% em relação ao mesmo período do ano passado. A margem líquida ficou em 13,8%, enquanto a receita operacional alcançou R$ 1,149 bilhão.
A estratégia combina controle de despesas, gestão do capital de giro e escolhas mais seletivas para a aplicação de recursos. A empresa também reduziu estoques e reforçou a geração de caixa. O principal indicador usado nesse acompanhamento é o Retorno Sobre o Capital Investido (Roic). “É a bússola das nossas decisões”, afirma Henrique Fernandez, CEO da Intelbras.
Investimentos e sustentabilidade
Mesmo com maior rigor para novos aportes, a companhia manteve projetos estruturantes considerados capazes de gerar valor em diferentes cenários. Em 2025, os investimentos abrangeram portfólio, inovação, pessoas, produtividade e sustentabilidade.
Um dos destaques foi a conclusão da implantação de um novo Enterprise Resource Planning (ERP), projeto de transformação de sistemas que prepara a organização para um novo ciclo de expansão. No desenvolvimento de produtos, câmeras IP e fechaduras digitais ampliaram sua relevância e participação de mercado. A empresa também treinou mais de 250 mil profissionais em todo o país, aproximando especificadores, instaladores e usuários de suas soluções.
Na frente ambiental, a Intelbras reaproveitou 299 toneladas de resina ABS na injeção plástica. Além disso, 24 mil equipamentos recebidos em trocas e devoluções foram recuperados após triagem, reparos e testes de qualidade e voltaram ao setor de remanufaturados.
Cerca de 90% do consumo da matriz energética veio de fontes renováveis, com compras no mercado livre e geração própria por sistemas fotovoltaicos. Essa geração chegou a 7.996 GJ no período. Para Fernandez, as medidas ambientais também estão ligadas à eficiência operacional e à competitividade.
Energia e novas tecnologias
A unidade de energia, criada em 2018 e fortalecida pela aquisição da Renovigi em 2022, passou por uma mudança de posicionamento. A Intelbras deixou o segmento de usinas e concentrou sua atuação em telhados residenciais e empresariais.
A decisão foi associada ao cenário do setor solar no Brasil, que, segundo Fernandez, enfrentou excesso de empresas, disputa de preços e margens insustentáveis, especialmente no mercado de usinas. A companhia passou a buscar uma operação com escala adequada, estrutura compatível e prioridade para rentabilidade, não para volume a qualquer custo.
A área de energia também foi integrada às demais soluções da marca. A proposta é reunir segurança, conectividade e energia em ofertas voltadas a consumidores finais, residências, empresas e projetos de infraestrutura.
Entre as oportunidades identificadas pela Intelbras está a combinação de diferentes tecnologias. A empresa avalia que os clientes procuram sistemas integrados, fáceis de administrar e ajustados às necessidades de cada projeto, em vez de soluções independentes.
A inteligência artificial (IA) já aparece em produtos e processos internos. Câmeras com análise inteligente de vídeo classificam eventos e reconhecem padrões. Na operação, a tecnologia apoia análises comerciais, logísticas e financeiras, além de decisões sobre demanda, estoques, preços e portfólio.
Antes de ampliar esse uso, a companhia organizou dados, revisou processos e capacitou equipes. O objetivo é construir uma organização orientada por evidências em todas as áreas, com mudanças na forma de trabalho e de tomada de decisão.
Para 2026 e 2027, a Intelbras pretende buscar crescimento com qualidade e fortalecer sua presença no mercado, sem detalhar novos projetos. Escala, inovação, sustentabilidade e capacidade de execução são apontadas por Fernandez como fatores centrais para a atuação da empresa diante das transformações do setor.







