As decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos devem concentrar a atenção dos investidores nesta quarta-feira. O Federal Reserve (Fed) tem previsão de elevar a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve reduzir a Selic pela quinta vez seguida, também em 0,25 ponto, para 13,75%.
O mercado também acompanha os sinais do Fed sobre a trajetória da inflação até a meta. O cenário ocorre após a disparada do petróleo, que chegou a tocar US$ 109 por barril, e o estresse recente na renda fixa americana.
Em nota, Felipe Villarroel, gestor de portfólio da TwentyFour Asset Management, afirmou que a alta nos rendimentos dos Treasuries reflete expectativas de inflação mais elevadas, rendimentos reais maiores, aumento do endividamento governamental e incertezas sobre a política econômica.
Bolsas, petróleo e renda fixa
Por volta das 8h, o futuro do S&P 500 subia 0,22%, enquanto o contrato do Nasdaq avançava 0,43%. Na Europa, o Stoxx 600 tinha alta de 0,51%. O rendimento da T-note de dez anos recuava de 5,006% para 4,993%.
Os contratos do petróleo Brent com entrega para novembro caíam 1,38%, a US$ 107,25 por barril. O movimento ocorria em meio às interrupções no Oriente Médio e aos avanços dos houthis, que mantêm elevados os riscos de abastecimento na região.
No Brasil, investidores também monitoram a investigação sobre as relações do ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) terminou sem decisão após um pedido de vista do ministro Flávio Dino. O prazo para devolver o processo à pauta é de até 90 dias.
Durante o pregão anterior, os juros de longo prazo subiram, enquanto o Ibovespa avançou apoiado pela alta do petróleo. O câmbio teve leve depreciação, em linha com o movimento externo.
Um profissional de uma asset avaliou que a permanência do STF nas manchetes pode prejudicar a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Sondagens contratadas pela instituição indicam que a crise no Judiciário pode influenciar a intenção de voto de parte dos eleitores, mas o custo de vida tem impacto maior na análise dos microdados.







