PARACATU — A Kinross Brasil Mineração avalia prolongar a operação da mina Morro do Ouro, em Paracatu, no Noroeste de Minas Gerais, além de 2034, data atualmente prevista para o encerramento das atividades. A possibilidade ainda está em estudo e não há garantia de que será concretizada.
A decisão depende de fatores econômicos e operacionais, como a conversão de recursos minerais em reservas. Esse processo é influenciado pelo preço do ouro e pela capacidade da empresa de reduzir custos. A companhia também considera que os recursos restantes podem exigir operações mais complexas, com impacto sobre as despesas.
Recursos e investimentos na mina
A Kinross possui 3,5 milhões de onças em recursos medidos e indicados em Paracatu, além de 4,8 milhões de onças em reservas. A Morro do Ouro é descrita como a maior mina de ouro a céu aberto do Brasil e tem teor de 0,4 gramas de ouro por tonelada de minério.
Para manter a operação, a empresa afirma trabalhar com eficiência, escala, disciplina de custos e reinvestimentos. Um dos projetos recebeu mais de US$ 30 milhões e instalou um processo de separação por gravidade nas plantas de beneficiamento, com o objetivo de aumentar a recuperação de ouro gravítico. Segundo Rodrigo Gomides, presidente e gerente-geral da Kinross Brasil Mineração, o projeto foi executado há dois anos e começou a apresentar resultados no ano passado.
Os investimentos recorrentes na Morro do Ouro, voltados à manutenção e à reforma de estruturas e equipamentos, variam entre US$ 60 milhões e US$ 100 milhões por ano. A mineradora também mantém estudos para elevar a eficiência das plantas e investe em um novo alteamento da barragem Eustáquio.
Essa será a última etapa de alteamento da estrutura. A descaracterização da Eustáquio está prevista para começar em 2033, enquanto a barragem Santo Antônio deve iniciar o processo antes, em 2028. As duas foram construídas pelo método de linha de centro.
Barragens e cenário do ouro
A extensão da vida útil da mina está ligada à disponibilidade de estruturas para a deposição de rejeitos. A Kinross pesquisa alternativas, mas considera necessária, neste momento, a utilização de barragens. Gomides afirma: “a nossa operação é de teor muito baixo e operamos com sulfeto, então acreditamos que barragem é a operação mais segura para rejeitos como o nosso”.
No primeiro semestre de 2026, a produção da Kinross em Paracatu foi de 318,1 mil onças equivalentes de ouro, alta de 7,5% na comparação anual. As vendas somaram 315,9 mil onças, com crescimento de 6,8%. A receita alcançou US$ 1,5 bilhão, avanço de 62,8%, e o lucro da operação totalizou US$ 988,3 milhões, alta de 95,7%.
O preço médio realizado do ouro subiu 52% no período. O metal chegou a máximas históricas neste ano e está cotado em cerca de US$ 4.400 a onça. A valorização favorece novos investimentos, mas a empresa mantém cautela nas projeções, pois os preços podem não permanecer nos mesmos níveis nos próximos meses.
A Kinross afirma que a produção de 2026 segue dentro do planejado, enquanto os custos operacionais sofrem pressão da inflação interna e externa, do frete, do diesel e da energia. A companhia também defende uma atuação conjunta com o Instituto Brasileiro de Mineração e o governo federal para criar incentivos ao setor mineral e reduzir esses impactos.







