A mudança no mercado de energia elétrica deverá exigir uma revisão das regras de investimento e da forma como as tarifas são estruturadas, avalia Alexandre Nogueira, CEO da Light. Para ele, a expansão do número de consumidores tornou necessária a modernização da rede e a ampliação da oferta de informações aos clientes.
A partir do fim de 2028, os consumidores poderão escolher seus fornecedores de energia de forma gradual. Atualmente, a maior parte dos brasileiros compra eletricidade da distribuidora responsável pela área de concessão.
Medidores e investimentos
Nogueira afirmou que a abertura também dependerá da instalação de mais medidores nas residências. O avanço, porém, está ligado à revisão da velocidade de retorno dos investimentos feitos pelas distribuidoras.
O executivo disse que a estrutura atual de tarifas permanece vinculada ao início da década de 1980. Ambientes regulatórios de teste, conhecidos como “sandboxes”, estão sendo usados para desenvolver preços mais adequados ao comportamento dos consumidores.
A discussão inclui mudanças nas regras de reconhecimento dos investimentos. Nogueira afirmou que não seria mais suficiente considerar esses aportes a cada cinco anos e citou debates em andamento na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
“O Brasil tinha 53 milhões de consumidores de energia em 2002, hoje tem mais de 90 milhões”, afirmou o CEO da Light. Segundo ele, a tarefa do setor deixou de ser apenas conectar consumidores e passou a incluir a modernização da rede.
Disputa pelos consumidores
Com a possibilidade de escolha, as distribuidoras terão de oferecer serviços competitivos para convencer os clientes a permanecer no chamado “mercado regulado”. A comercializadora do grupo Light também se prepara para essa etapa, de acordo com Nogueira.
O CEO afirmou ainda que a experiência internacional não indica a necessidade de separar as marcas de distribuidoras e comercializadoras pertencentes ao mesmo grupo econômico. Para ele, a manutenção conjunta das marcas não impediria a competição.
No mesmo evento, Lucas Witzler, diretor-executivo da Ultragaz energia elétrica, defendeu a separação das marcas como forma de garantir um ambiente mais competitivo.







