SANTA RITA DO SAPUCAÍ — A palavra “amor” aparece no centro da proposta do escritor Ricardo Cury para interpretar o lema inscrito na bandeira brasileira. Em “Amor, Ordem e Progresso”, ele defende que a expressão deve ser lida a partir de uma formulação mais longa atribuída ao filósofo francês Auguste Comte: “o amor por princípio, a ordem por base, o progresso por fim”.
A ideia foi apresentada durante o HackTown 2026, realizado de 3 a 7 de setembro. Formado em Relações Internacionais, Cury contou que começou a questionar a frase depois de viagens à Índia e à Amazônia. Uma experiência com povos indígenas o levou a observar a bandeira e a investigar a origem do lema. Em 2013, ele afirma ter descoberto que “Ordem e Progresso” foi retirada da formulação de Comte sem a palavra amor.
Uma pergunta para orientar escolhas
O escritor disse que ainda investiga os motivos pelos quais o termo teria sido suprimido pelo grupo que proclamou a República, formado, segundo ele, por positivistas seguidores da formulação original. Para Cury, a ausência do amor ajuda a explicar a polarização e a exclusão associadas historicamente ao símbolo.
Na avaliação dele, uma ideia de ordem e progresso sem amor pode ser definida pela visão de quem já ocupa o poder. Cury citou homens brancos e acadêmicos e afirmou que essa perspectiva deixa de lado a população negra, as mulheres e o público LGBT.
A proposta também se aplica ao cotidiano. O escritor defende que o amor seja usado como princípio para decisões pessoais e coletivas, inclusive em assuntos ligados a dinheiro e relações de trabalho. A pergunta “o que o amor faria?” orienta as entrevistas reunidas no livro, feitas com pessoas brasileiras e estrangeiras que, na percepção dele, demonstram amor genuíno pelo Brasil.
Consciência antes da tecnologia
Dividido em duas partes, o livro reúne o relato da jornada de Cury e as conversas que ele realizou. Ao participar de um evento sobre tecnologia e inovação, o escritor também falou sobre a necessidade de desenvolver o que chamou de inteligência espiritual, ou consciencial, antes do avanço ainda maior da inteligência artificial.
“Nós temos que estar no controle disso, não isso nos controlando. Ela tem que estar a nosso serviço”, afirmou Cury. Ele comparou a mente humana a um “burrinho” conduzido pela consciência e relacionou a falta desse controle a quadros de ansiedade e burnout.
“Amor, Ordem e Progresso” está disponível na Amazon. O trabalho de Ricardo Cury também pode ser acompanhado no YouTube e no Instagram, sob o nome Ricardo Cury.







