A pesquisa do grupo Egrégora quer deslocar o foco da história recente de Santa Rita do Sapucaí: além da eletrônica e da tecnologia, os autores defendem que o município construiu uma trajetória ligada ao terceiro setor. A proposta está no livro “Third Sector Valley”, apresentado durante o HackTown 2026, realizado de 3 a 7 de setembro na cidade.
O trabalho é desenvolvido há dois anos por profissionais de filosofia, ciência política, comunicação, administração e direito. A hipótese do grupo é que a articulação social local remonta a 1955, quando outra fundadora do município teria sonhado com esse legado.
Entrevistas e diagnóstico
Para preparar o livro, o Egrégora ouviu 17 lideranças do terceiro setor em Santa Rita do Sapucaí. A avaliação comum, conforme Rodrigo Starling, é que todos os setores podem avançar: empresas, prefeitura e organizações sociais.
O cientista político e filósofo também criticou a postura de entidades que aceitam atendimentos mínimos do poder público como se fossem suficientes. Para ele, as organizações precisam cobrar políticas completas e organizar uma atuação conjunta em defesa de conquistas maiores.
A ideia de colaboração também está no nome do grupo. Rodrigo explicou que “egrégora” descreve um pensamento coletivo convergente. A iniciativa, segundo ele, não deve ser conduzida por uma personalidade específica, mas pela união de organizações, lideranças e instituições.
Uma proposta para outros municípios
Uma das teses apresentadas no livro define o terceiro setor como “o hack do capitalismo”. A formulação sustenta que o setor pode interferir no futuro do sistema econômico, em vez de concentrar o debate apenas na discussão sobre qual sistema seria ideal.
Rodrigo Starling citou ainda o economista americano Michael Green, que acompanha os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU desde o lançamento da Agenda 2030, em 2015. Na avaliação apresentada por ele, o ritmo atual faria as metas serem alcançadas apenas em 2082, um atraso de 52 anos entre o discurso e a entrega.
O lançamento do livro foi marcado para 6 de setembro, das 10h às 12h, no Cine Teatro Municipal de Santa Rita do Sapucaí, com entrada gratuita. Como o espaço do teatro é reduzido, a organização do HackTown planejou instalar um telão do lado de fora para o público que não conseguisse entrar.
Os participantes também seriam convidados a assinar, por meio de um QR code no livro, um protocolo de intenções. O documento prevê que eles se tornem corealizadores das transformações propostas, e não apenas leitores.
O grupo Egrégora pretende repetir o mapeamento e a articulação em outros territórios, incluindo Belo Horizonte e outros municípios. A iniciativa, portanto, foi apresentada como um modelo que pode sair de Santa Rita do Sapucaí e ser adaptado a novas comunidades.







