Poços de Caldas, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
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Câmbio e custos

Manoel Soares cobra que bem-estar dos trabalhadores entre nas contas das empresas

No HackTown 2026, comunicador relacionou inclusão à autonomia, questionou salários e defendeu a aceitação da neurodivergência.

O bem-estar social deveria ser considerado pelas empresas na mesma medida que a saúde financeira, afirmou Manoel Soares durante o HackTown 2026. O comunicador e escritor questionou se os salários pagos por companhias da cidade correspondem à receita obtida e sugeriu verificar se pelo menos 30% do faturamento é destinado aos trabalhadores.

A declaração fez parte de uma conversa com Sílvia Castro sobre diversidade, inclusão e neurodivergência. Soares também criticou a ideia de que famílias de crianças com deficiência precisem depender exclusivamente de serviços públicos por causa de remunerações baixas.

Inclusão depende de participação

Para o comunicador, ações simbólicas não bastam para transformar o ambiente de uma empresa. Inserir um arco-íris em um site ou usar laços coloridos em campanhas não significa, por si só, incluir grupos diversos.

A diferença entre os conceitos foi resumida por Soares com uma comparação: “diversidade é ser convidado para a festa; inclusão é poder escolher a música e dançar nela”. Na avaliação dele, a inclusão exige que as pessoas tenham espaço para participar e influenciar as decisões.

Soares esteve no festival a convite da Blacktown, vertical liderada por pessoas negras de Santa Rita do Sapucaí. Embora tenha sido chamado por uma iniciativa ligada à população negra, afirmou que não participou do encontro para discutir questões raciais. Ele disse que costuma ser convidado justamente para esse tipo de debate, apesar de reconhecer a importância do tema.

O HackTown foi realizado de 3 a 7 de setembro. Essa foi a primeira visita de Soares ao festival, que chegou à décima edição.

Neurodivergência como ponto de partida

Pai de duas crianças autistas, o comunicador afirmou ser autista, ter superdotação e TDAH severo. Na conversa, defendeu que a aceitação de diferentes padrões neurológicos, mentais e comportamentais deve estar no início de qualquer debate sobre diversidade.

Segundo Soares, a maneira como cada pessoa organiza a própria vida é influenciada por seu padrão neurológico. A dificuldade em aceitar essas diferenças também afetaria a disposição para lidar com outras formas de diversidade, como as relacionadas à cor da pele e à orientação.

Ele adiantou que sua palestra no evento abordaria a neurodivergência e buscaria ajudar famílias a compreender diferentes padrões neurológicos.

Sentido da vida e ações concretas

Soares afirmou desconfiar de quem fala excessivamente sobre as próprias boas ações. Para ele, a prática deveria aparecer sem depender de anúncios, ideia que relacionou ao contraste entre o discurso corporativo de inclusão e as atitudes efetivas das empresas.

Em outro momento, refletiu sobre a dimensão da vida humana diante do universo. Disse que uma existência dura, em média, cerca de 4 mil semanas e questionou se curtidas, audiência e dinheiro acumulado são suficientes para dar sentido à vida.

O comunicador também propôs pensar no que resta de uma pessoa quando se retiram o corpo e os pensamentos. Para ele, esse resíduo precisa ser cuidado e permite valorizar cenas simples, como alguém regando flores ou uma criança experimentando banana pela primeira vez.

Ao final, deixou um conselho bem-humorado: malhar as pernas por razões relacionadas à saúde e à circulação sanguínea no longo prazo.

Texto produzido pela Redação Trilha de Viagem com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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