SANTA RITA DO SAPUCAÍ — A diversidade deve ser tratada pelas empresas como parte da estratégia, e não como uma ação de caridade ou apenas uma pauta social. A avaliação é de Adrielly Honório, especialista em diversidade e inclusão, consultora e palestrante, que participou de uma conversa no HackTown 2026, realizado de 3 a 7 de setembro.
Na entrevista conduzida por Sílvia Castro para o podcast Na Boa, Adrielly afirmou que seu trabalho busca impactar pessoas e futuros dentro das organizações. Ela também criticou o uso da expressão recursos humanos, por considerar que pessoas não devem ser vistas simplesmente como recursos.
Para a especialista, todas as pessoas carregam algum grau de preconceito por terem crescido em uma sociedade marcada por preconceitos. A diferença, segundo ela, está em reconhecer isso e evitar que essas ideias orientem comportamentos e decisões no cotidiano.
Diversidade e inovação
Adrielly defendeu que equipes diversas têm maior potencial criativo e conseguem resolver problemas de maneira mais rápida e ágil. Ela afirmou que esse entendimento vem sendo comprovado há cerca de dez ou quinze anos.
A relação entre inovação e diversidade, segundo a palestrante, é direta. Criar algo novo depende de uma construção coletiva e de diferentes perspectivas. Por isso, uma solução desenvolvida sem considerar as pessoas e o território onde será aplicada pode deixar de lado aspectos importantes da realidade local.
Ela citou como exemplo a combinação de olhares de pessoas de São Paulo, do Acre, de Goiás e de Santa Rita do Sapucaí. Para Adrielly, a reunião dessas experiências pode produzir ideias que não surgiriam a partir de uma única perspectiva.
Empresas e o cenário político
A especialista avaliou que o mercado está mais aberto ao tema do que estava há dois anos, mas disse que o cenário político de ano eleitoral costuma reduzir iniciativas de diversidade nas companhias. Mesmo assim, ela afirmou que o assunto não é um modismo.
Na avaliação de Adrielly, até empresas que não começam esse trabalho por uma motivação humanitária podem perceber impactos positivos na marca, no alcance e no engajamento interno. Por isso, a diversidade deve ser incorporada à cultura, ao negócio e à estratégia.
Ela também contou que considera positiva a reação provocada por temas polêmicos. O debate, segundo Adrielly, estimula as pessoas a observar seus times, bairros e escolas e a questionar se esses espaços são realmente diversos ou se permanecem dentro de uma bolha limitada.
Do “eu” ao “nós”
Ao falar sobre a principal mensagem levada do HackTown, Adrielly destacou a coletividade. Ela contou que mora em um prédio com mais de 300 apartamentos e conhece apenas dois vizinhos, embora acredite que existam ali centenas de histórias que poderiam ser conhecidas.
A especialista relacionou essa reflexão ao conceito de bem viver, associado a povos originários latino-americanos. A ideia considera o bem-estar individual, a convivência com as pessoas do entorno e a relação com o território, incluindo a natureza e a vizinhança.
Para Adrielly, transformação, cura e crescimento não acontecem de maneira isolada. “O mundo tá adoecendo, e a cura não vai ser só minha”, afirmou, defendendo que quem encontra um caminho de mudança também ajude outras pessoas a encontrar o próprio caminho.







