SÃO PAULO — O Grupo Marabraz pediu à Justiça de São Paulo a suspensão de cobranças por 180 dias, enquanto aguarda a análise do pedido de recuperação judicial. A varejista também solicitou a liberação de recursos financeiros bloqueados, a continuidade de serviços considerados essenciais e o acesso a imóveis retomados por locadores.
A empresa entrou com o pedido de recuperação judicial em 15 de agosto, apontando dívidas de R$ 140 milhões. A proteção contra credores já havia sido solicitada na petição inicial e foi reiterada em documento apresentado na última quinta-feira (3). A Marabraz afirmou que cumpriu a determinação judicial para apresentar documentos complementares e voltou a pedir o processamento da recuperação.
A juíza Fernanda Perez Jacomini determinou, em 22 de agosto, o restabelecimento dos serviços da Oracle. De acordo com a Marabraz, a empresa de tecnologia havia bloqueado o acesso ao armazenamento de documentos contábeis necessários ao processo. Quatro dias depois, a Oracle informou à Justiça que os sistemas haviam sido liberados em 20 de junho, antes do pedido de recuperação, e pediu o reconhecimento desse fato.
A magistrada também atribuiu à Deloitte uma perícia prévia sobre a situação da varejista. Entre os fornecedores listados pela Marabraz estão empresas de serviços financeiros e companhias de água, energia, internet e telefone. A varejista os classificou como “indispensáveis ao funcionamento de suas lojas”.
A Redecard contestou a inclusão. A empresa disse que rescindiu o contrato em 25 de novembro de 2025 por causa do inadimplemento acumulado e afirmou que seu serviço não é essencial à operação. A Cielo informou que a Marabraz deixou de ser sua cliente em 2025.
A varejista também pediu que locadores com ordens de despejo não impeçam a entrada nos imóveis pelo período necessário para retirar bens e mercadorias. Segundo a empresa, a crise decorre da combinação de fatores internos e externos, incluindo dependência de financiamento, conflitos familiares entre controladores, restrições de crédito e alta dos juros.
A Marabraz Comercial Ltda., detentora da marca, também pediu para entrar no grupo de requerentes. A empresa afirma ter 111 lojas: 25 em funcionamento e 86 temporariamente fechadas por restrições de liquidez, que afetaram a recomposição dos estoques e o pagamento dos trabalhadores.







