Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro registram uma articulação em torno da indicação de Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Os diálogos também mostram que o advogado Ciro Soares afirmou ter recebido um pedido de Lobo para buscar o apoio de Vorcaro e do senador Otto Alencar.
O conteúdo é de julho de 2025, quando Lobo ocupava interinamente a presidência da autarquia e tentava ser indicado pelo governo para permanecer no cargo. A nomeação acabou ocorrendo. Ele foi sabatinado no Senado e assumiu efetivamente a presidência da CVM.
O conteúdo dos diálogos
Em 19 de julho de 2025, Soares enviou um áudio a Vorcaro relatando que Otto Lobo queria ajuda para falar com Otto Alencar. Segundo o advogado, Lobo pretendia continuar à frente da CVM e teria dito gostar de Vorcaro, a quem se referia como “leãozinho da montanha”.
Na conversa, Vorcaro respondeu: “Ótimo ele. Tem que colocar ele na presidência”. Depois, os dois indicaram que atuariam para viabilizar a nomeação. Soares afirmou que levaria Lobo ao Senado e que procuraria Jaques Wagner, senador do PT-BA. Vorcaro disse que falaria com seu grupo.
A defesa de Jaques Wagner negou que a conversa com Lobo mencionada no diálogo tenha ocorrido. Também afirmou que o senador não tem relação com Vorcaro e nunca atuou em favor dos interesses do Banco Master.
Negativa de Otto Lobo
Em nota, Lobo disse não ter conhecimento nem ingerência sobre conversas privadas de terceiros. Ele negou ter mantido relações com Vorcaro ou ter procurado apoio do ex-banqueiro.
A manifestação também afirmou que o processo de indicação de autoridades envolve conversas com senadores responsáveis pela aprovação. Segundo a defesa, Otto Alencar era presidente da Comissão de Assuntos Econômicos em 2021, quando Lobo foi indicado para a diretoria da CVM, e continua membro do colegiado.
Lobo foi sabatinado e aprovado para a presidência da CVM no Senado em 20 de maio de 2026. A defesa afirmou ainda que a autarquia criou um grupo de trabalho para tratar de denúncias relacionadas ao Banco Master, à Reag e a entidades conexas.
Atuação da CVM
A defesa declarou que a CVM foi o primeiro órgão de Estado a julgar e punir um processo sancionador envolvendo o Banco Master. De acordo com a nota, foram aplicadas multas totais de cerca de R$ 200 milhões, sendo R$ 20 milhões diretamente a Daniel Vorcaro, no Processo 19957.007976/2020-94.
A nota também citou denúncias e suspeitas ainda em análise pela área técnica da CVM. Sobre o caso da OPA da Ambipar, a defesa afirmou que o Tribunal de Contas da União considerou correta a decisão tomada em dois processos e que não houve benefício ao Banco Master em processos com voto de Lobo.
Os demais citados não haviam apresentado retorno até a divulgação das informações.







