JUIZ DE FORA — Mensagens entre Daniel Vorcaro e Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Felipe Mourão ou Sicário, indicam que o ex-dono do Banco Master autorizou o acompanhamento de todos os processos sigilosos relacionados ao Master e ao Banco de Brasília (BRB) no Ministério Público Federal (MPF).
O diálogo está em um documento da Polícia Federal (PF) incluído no inquérito sobre as fraudes no Master. O sigilo do material foi retirado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na quinta-feira (10).
Segundo a PF, Felipe Mourão coordenou a busca por informações e usou indevidamente os logins de dois servidores do MPF. O monitoramento começou em 23 de julho de 2025. Mourão procurou processos que mencionavam simultaneamente o Master e o BRB e perguntou a Vorcaro quais deles deveriam ser acompanhados.
“Quero tudo. Atenção total”, respondeu Vorcaro. Depois da autorização, Mourão afirmou que faria uma busca geral. Em outro trecho destacado pela corporação, ele disse que o grupo tinha acesso total e ilimitado ao sistema do MPF, embora não soubesse por quanto tempo isso continuaria.
Acessos a sistemas públicos
A PF afirma que os diálogos indicam que o grupo tinha amplo acesso a procedimentos disponíveis no sistema do MPF. O documento também registra que Vorcaro consultou a notícia de fato que deu origem à investigação sobre a compra do Master pelo BRB. Essa apuração levou à prisão do ex-banqueiro em novembro do ano passado.
O relatório aponta ainda que o grupo chamado de “A Turma” acessou um banco de dados da própria PF por meio do sistema oficial da polícia judiciária. Após uma auditoria interna, os investigadores identificaram que o acesso ocorreu pela Delegacia da PF de Juiz de Fora, em Minas Gerais.
Para a corporação, as evidências apontam acesso a sistemas com informações sigilosas e mencionam também organismos internacionais, como o FBI e a Interpol. A PF classificou o nível de intrusão atribuído ao grupo como relevante.







