MINAS GERAIS — Projetos de novas Unidades Básicas de Saúde (UBS) em Minas Gerais terão recursos de sustentabilidade e adaptação climática, incluindo ventilação e iluminação naturais, reuso de água, equipamentos de baixo consumo energético e painéis fotovoltaicos para geração de energia solar. Ao todo, 314 unidades serão distribuídas por 259 municípios, com investimento federal de R$ 711,5 milhões.
O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em coletiva de imprensa na quarta-feira (16). Nove UBS já foram concluídas, mas o Ministério da Saúde ainda não informou quando as outras 305 serão entregues nem se as unidades finalizadas já estão em funcionamento.
Entre os municípios contemplados estão Belo Horizonte, Betim, Contagem, Uberlândia, Uberaba, Patos de Minas, Governador Valadares, Montes Claros, Juiz de Fora, Teófilo Otoni, Poços de Caldas, Pouso Alegre, Varginha e Ipatinga.
Plano para adaptação climática
A iniciativa faz parte de um cenário mais amplo de preparação da saúde pública para eventos extremos. Dados do Painel El Niño do governo federal, divulgados em julho, indicam 100% de probabilidade de permanência do fenômeno até, pelo menos, o início de 2027. As previsões apontam que a temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico Equatorial pode registrar anomalias acima de 2°C entre a primavera e o verão deste ano.
O programa Adapta SUS prevê R$ 9,8 bilhões para ações de resiliência climática em todo o País. O planejamento inclui 27 metas e 93 medidas até 2035, com foco no fortalecimento da proteção à população, especialmente nas regiões mais vulneráveis.
Para Nilton Pereira Junior, diretor de Programa da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, eventos climáticos extremos já provocam impactos na saúde em diferentes países. Ele citou dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e um levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), segundo o qual pelo menos 120 mil mortes no Brasil tiveram relação direta com o calor extremo entre 2000 e 2019.
“Pelo menos um a cada 12 hospitais tem já algum risco de paralisação ou interrupção das atividades assistenciais por conta de eventos extremos”, afirmou Pereira.
Padilha disse que a preparação precisa ser orientada por evidências científicas e defendeu a adaptação dos sistemas de saúde às mudanças climáticas. “A preparação para o El Niño é baseada na ciência”, declarou o ministro.







