MOSCOU — A L.E.V. Management foi nomeada pelo governo russo para administrar temporariamente os ativos locais da Nestlé e da Auchan. Sediada em Moscou e registrada em 2024, a empresa tem pouca presença pública. A propriedade dos negócios não muda formalmente nesta etapa, mas o administrador indicado pelo Estado passa a controlar os ativos.
A Nestlé declarou que tomará “todas as medidas necessárias” para proteger seus interesses. A Auchan não comentou a decisão.
Presença das empresas no país
A Nestlé atua na Rússia desde a década de 1990 e mantém seis fábricas, voltadas à produção de café, alimentos para animais de estimação e fórmulas infantis. A companhia emprega cerca de 7 mil pessoas no país, que representa aproximadamente 1% de suas vendas globais.
A Auchan começou a operar no mercado russo em 2002. No fim de 2025, tinha 24.236 funcionários e 229 lojas no país. As operações geraram 127 bilhões de rublos em vendas no primeiro semestre de 2026. A varejista continuou na Rússia depois da invasão da Ucrânia em 2022.
Motivos citados para a medida
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que as duas companhias têm sede em países considerados “hostis”, sem mencionar nominalmente a Suíça ou a França. A Rússia passou a criticar com mais frequência a posição suíça sobre a guerra na Ucrânia depois que Berna adotou a maior parte das sanções da União Europeia contra Moscou.
Também foi relatado anteriormente que a Nestlé entrou na mira das autoridades russas por resistir à expansão no país e à retomada das exportações de produtos fabricados localmente. A administração temporária pode pressionar a empresa a voltar a investir ou a deixar o mercado, com pagamento de uma taxa de saída e venda do negócio com desconto a um comprador aprovado pelo Kremlin.
Mecanismo usado pelo governo russo
A Rússia criou a administração temporária em 2023, por meio de um decreto presidencial. O instrumento permite colocar sob controle estatal ativos de empresas sediadas em países considerados “hostis”.
Desde o início da guerra, o mecanismo também foi aplicado às operações russas da Danone, da Carlsberg e da Fortum. Em alguns casos, os ativos foram vendidos posteriormente a compradores russos ligados ao Kremlin. O país ainda passou a exigir descontos obrigatórios, taxas de saída e outras restrições para a venda de negócios estrangeiros.






