O Produto Interno Bruto (PIB) do Nordeste mais que dobrou em pouco mais de dez anos, passando de R$ 724 bilhões para R$ 1,76 trilhão, segundo relatório do Banco do Nordeste do Brasil (BNB). O avanço é associado à expansão dos serviços, à infraestrutura, à inovação, à transição energética e à atração de investimentos privados.
Entre janeiro e maio deste ano, a atividade econômica nordestina cresceu 2,7%, acima da alta de 1,2% registrada no Brasil, de acordo com o Índice de Atividade Econômica Regional do Banco Central (IBCR). Pernambuco teve expansão de 5,1%, a maior da região e a segunda maior entre os Estados brasileiros. Ceará e Paraíba também mantêm projeções de crescimento, impulsionadas por serviços e obras estruturantes.
Para 2026, as estimativas indicam que o PIB regional pode superar a média nacional prevista para algo em torno de 2% e chegar perto de 3% em cenários mais otimistas. João Mário de França, pesquisador do Centro de Estudos para Desenvolvimento do Nordeste do FGV Ibre, atribui esse movimento ao desempenho dos serviços, aos investimentos em infraestrutura e às energias renováveis.
Mercado de trabalho e empresas
A taxa média de desemprego na região caiu de perto de 19% em 2021 para ao redor de 8%, segundo levantamento do BNB. No mesmo período de referência, foram criadas mais de 347 mil vagas formais nos últimos 12 meses. Para Henrique Danyi, economista do Santander, a queda do desemprego e a sustentação da renda ampliam o consumo das famílias e ajudam a manter a demanda doméstica.
A indústria tem projeção de crescimento de 2,1%, seguida pelos serviços, com 1,9%, conforme análise de Danyi. A Braskem, maior empresa da região, registrou receita de R$ 70,7 bilhões em 2025 e entrou com pedido de recuperação judicial no fim de agosto.
Na área de energia, o grupo Equatorial teve receita líquida de R$ 52,1 bilhões. A empresa informa que, ao longo de 2026, avançou na consolidação de operações em energia e saneamento, com investimentos em infraestrutura, tecnologia, inovação e qualidade dos serviços.
Exportações e novas oportunidades
As exportações nordestinas para os Estados Unidos recuaram US$ 277,1 milhões no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo o FGV Ibre. Novas medidas tarifárias americanas podem atingir setores como calçados, açúcar, mel e pescados. No setor elétrico, porém, a demanda é considerada relativamente resiliente.
João Mário de França defende a busca de investimentos privados em áreas nas quais a região tenha vantagem competitiva. Entre as possibilidades citadas estão energia eólica, solar e hidrogênio verde, além de bioeconomia, economia digital, data centers e turismo. Essas atividades aproveitam recursos naturais como sol, vento e biodiversidade.







