O reajuste do Bolsa Família surpreendeu participantes do mercado e aumentou a atenção sobre as contas públicas. O anúncio foi feito na quinta-feira, pouco antes do primeiro turno da eleição presidencial, quando a expectativa por uma elevação nos benefícios sociais era próxima de zero.
Os ativos pioraram no momento da divulgação, mas o movimento foi considerado ordenado até agora. Por volta de 12h, o dólar subia 0,15%, a R$ 5,1588, enquanto o Ibovespa recuava 0,25%, aos 185.086 pontos. Os juros futuros avançavam em bloco, embora ainda estivessem distantes das máximas.
Impacto fiscal e eleitoral
Um diretor de investimentos de uma asset avaliou que a medida é negativa, mas não deve mudar sozinha o resultado da eleição. Ele também afirmou que o anúncio surpreendeu o mercado e citou a possibilidade de novas iniciativas do governo que não estejam submetidas às leis eleitorais.
Para um gestor de renda fixa de uma asset na Faria Lima, a reação limitada dos preços refletiu um cenário externo favorável e a dúvida sobre a capacidade do reajuste de aumentar as chances de reeleição de Lula. Na avaliação dele, o benefício pode não alcançar o grupo em que o governo perdeu aprovação e intenção de voto.
O gestor apontou ainda o impacto fiscal como um dos pontos de atenção. O custo estimado é de quase R$ 30 bilhões entre 2026 e 2027. Em uma eventual alternância de poder, esse efeito teria menor relevância, mas ele demonstrou preocupação com a possibilidade de um quarto mandato de Lula resultar em uma condução fiscal menos responsável do que o mercado esperava.
Um economista de uma casa carioca lembrou que o mercado chegou a considerar um reajuste em alguns momentos do ano, mas a falta de anúncios fez muitos investidores retirarem essa hipótese de suas projeções. “Praticamente ninguém esperava que ocorresse nesse timing”, afirmou.
Para um estrategista de um banco local, o anúncio inesperado oferece à campanha de Lula uma oportunidade de recuperar o controle do ciclo de notícias. Ainda assim, ele disse não ver, por enquanto, mudança na tese eleitoral.
A avaliação no mercado agora é se o reajuste ficará isolado ou se será seguido por outras medidas e vazamentos. Caso pare por aí, o movimento pode ser interpretado como sinal de desespero, e não de força.







